Eu concordo com as pessoas que dizem que “Jornalismo é contar histórias”. Vamos a uma vivida por este aprendiz de blogueiro. Espero que o texto sirva para evitar a diminuição ou simplificação da questão e também a demonização de quem não tem relação com o problema.

Eu lembro que era um sábado ensolarado em Santos. Fui para a rua cobrir uma confusão ocorrida em um cortiço no Centro da Cidade. Tenho quase certeza que a pauta era para o jornal-laboratório da Faculdade. Quando entrei no local, tomei um chá de realidade.

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Uma casa com vários quartos, todos úmidos, uma entrada lateral, e um número impressionante de moradores. Lembro que as pessoas falavam muito em alguém que seria o Gato, ou seja, o sublocador daquele imóvel. A referência ao animal deve ser pela fama de esperto e malandro do bichano.

Lembro que fiquei impressionado como alguém podia sublocar uma casa naquele estado e tirar vantagem da miséria alheia. Alugar do proprietário e realugar para o povão. Uma residência que abrigava gente que trabalhava à noite, ambulantes, catadores de latinhas etc. Reclamavam muito que pagavam para morar ali e não tinham muito com quem reclamar. Um negócio feito com a palavra e a falta de pagamento resultava na retirada forçada da família, a Lei do Mais Forte mesmo, simples assim.

Voltando ao presente, surge a tragédia com o prédio no Centro de São Paulo. Esses problemas, normalmente, ganham destaque depois de uma tragédia. Você não acha que a criação de uma favela vertical, com, no mínimo, dez barracos, ocupando todos os andares, em uma construção abandonada e desgastada pelo tempo, seja a melhor opção de moradia para uma mãe e quatro filhos. Saía do seu conforto atual e viaje nessa suposição.

 

Sublocar uma residência virou uma alternativa de moradia para quem não tem nada. Quem vive à margem não tem como comprovar renda. Quem vive pelas ruas não se compromete com nada, muito menos com um aluguel de R$ 200 a R$ 500,00, por isso, a pecha de vagabundos e desocupados, não se encaixa ali. Esse é o preço que se paga para quem não tem um teto.

A culpa disso tudo não é dos movimentos dos sem-teto. Sabe por quê? A tragédia para os miseráveis é o momento que as pessoas que não têm nada, perdem tudo. Quando mais de 40 miseráveis estão embaixo dos escombros por dois dias, tudo o que se vê é um monte de entulho. Vamos passar pela rua de trás para não ver.

Esperemos novas desgraças. Viva a hipocrisia!

A conferir.