Vivemos em uma região que estampa manchetes e solta fogos quando os dados oficiais indicam o saldo positivo de nove vagas, entre contratações e demissões, no primeiro trimestre do ano. Dentro dessa euforia caiçara, venho aqui lamentar a perda dos empregos dos jornalistas Anderson Firmino e Ted Sartori, profissionais extremamente competentes e vítimas da sempre enganosa reestruturação. Não é à toa que os dois são amigos de infância.

Por que esse aprendiz de blogueiro resolveu mexer em um assunto tão espinhoso? Firmeza e Ted Richard tiveram suas primeiras oportunidades de atuar num veículo de comunicação quando eu já era o subeditor de Esportes.

Fotos: Reprodução

Passado o impacto da informação, preciso lembrar que são dois profissionais do mais alto gabarito, gente diferenciada, que trabalha. Estamos perdendo as referências dentro das redações e nos resta cada vez mais o “quem sobrou”. Firmeza e Ted foram para o Japão acompanhando o Santos, na decisão do Mundial. Ganharam prêmios para o jornal.

Atuei quase 15 anos ao lado dos dois. Trabalhamos pesado e demos muitas risadas também. Ted era meu substituto quando eu atuava como setorista do Santos. Certa vez, ele escreveu uma matéria sobre o goleiro Fábio Costa. Como de costume, no dia seguinte, o jogador, ao fim do treino, chegou gritando que queria conversar comigo. Pensei que apanharia no lugar do Ted, já que o atleta espumava de ódio.

Numa sala minúscula, Fábio gritava: Cadê o Ted? Cadê o Ted? Quero ele aqui amanhã! Argumentei que ele me substituía e que ele não estaria lá. Perguntei se ele tinha lido o texto. Fábio ficou sem reação e saiu. Mais um que reclamou e quis apelar para a violência sem ter lido a matéria. Algo comum no futebol.

Em outra ocasião, Ted enfrentava dificuldade para falar com os dirigentes do Benfica, clube português, que estavam em Santos para contratar o atacante Robinho. A ordem era não fazer transferência de ligação de jornalistas para o quarto dos portugueses. Parece piada, mas não é. Eu e Ted conversamos e combinamos que ele ligaria e diria que era o “Joaquim”. Bingo. A ligação foi passada e o repórter conseguiu sua entrevista.

Já o Firmeza, ficou devendo a elaboração de uma pauta sobre natação (piada interna) e conseguiu transformar em grandes matérias uma maluquices criadas por muita gente que caiu de paraquedas na nossa editoria. Foi extremamente leal e profissional. Era constantemente zoado, pois o jornalista tem parentes famosos, até na televisão.

São dois profissionais no mercado. Se eu fosse um empresário, os contrataria agora.

Esses dois jornalistas agregaram um grande qualidade a um caderno que passou ter muito mais que futebol nas suas páginas. Foram vítimas da burrice e da desinformação de alguém. Nada se sustenta apenas sendo feito por amigos. Sem competência, decência e profissionalismo, a casa literalmente vai cair. Uma pequena questão de tempo.

Em pouco tempo, alguém voltará a perguntar: Firmeza, Firmino? ou Ted Richard?

A conferir.