Pesquisa provoca abalo em campanha da oposição, mas grupo nega- Coluna “Nos Bastidores do Santos FC”

Nesta coluna, você vai saber em primeira mão o resultado de uma pesquisa feita pelo telefone e conferir quem está em primeiro lugar. Vai ver também que tem gente querendo pular o muro e o que Modesto Roma fala sobre seu gosto por coxinhas. Confira que tem muito mais.

 

Call Center

Uma pesquisa encomendada por um famoso empresário realizada pelo telefone teria provocado sério abalo numa das quatro candidaturas.

Call Center 2

Os números não foram divulgados, mas o Blog soube que pela ordem os mais votados para presidente foram: Modesto Roma; José Carlos Peres; Nabil Khaznadar e Andrés Rueda.

Call Center 3

Roma está ligeiramente à frente, mas existe um empate técnico com Peres. Nabil e Rueda estariam abaixo da linha de corte de 20%, ou seja, não elegeriam nem um conselheiro.

Negou

Em contato com a coluna, a Santástica União negou esses números. De acordo com o grupo, a ordem correta é: Modesto; Peres; Rueda e Nabil. Havendo um empate técnico entre os três primeiros. Nabil está no último lugar.

Mais difícil

As conversas entre “Somos Todos Santos”, de Peres, e a Santástica União, de Rueda, esfriaram novamente. Um acordo e uma composição estão mais distantes.

Dois lados…

O candidato Modesto Roma Júnior que disputa a reeleição no Santos foi duramente criticado, pois no churrasco em comemoração aos 12 anos do CT Rei Pelé, havia pessoas usando a camisa da sua campanha. Até de falta de comida reclamaram.

Da moeda

Agora, um evento oficial, com distribuição de brindes, apresentação do Baleião, promoção das chapas de oposição e uso de camisas de campanha é o quê? Só coincidência?

Tim-tim

A coluna soube com exclusividade que um sócio expoente e que faz campanha e vota na oposição no clube mandou um emissário sondar o presidente Modesto Roma se poderia ser aceito na campanha dele.

Tim-tim 2

A resposta de Roma foi sonora: “Não”

Um caminhão de dinheiro

Um das candidaturas à presidência do Santos está gastando um caminhão de dinheiro com Comunicação. Até aí, tudo bem. Agora, fazer uma nota oficial desmentindo o que foi escrito sem ao menos ler o que foi publicado e ainda ameaçar de processo é um pouco demais.

Conversas

Será que os grupos de Modesto Roma e Marcelo Teixeira ainda estão conversando sobre uma eventual candidatura de Adilson Durante Filho, um dos caciques da DNA Santista, a vice-presidente do Santos FC?

Coxinhas 1

Constantemente trolado e zoado nas redes sociais por supostamente gostar muito de coxinhas (salgadinho frito), o presidente Modesto Roma Júnior acabou com o mistério no dia da inauguração da estátua de Zito, na Vila Belmiro.

Coxinhas 2

Um integrante da campanha “Santos Gigante” pensando que ia ganhar uns pontinhos com o chefe, durante a coletiva de imprensa, levou até Modesto um prato repleto de coxinhas. Para surpresa do “garçom”, Roma rejeitou os salgadinhos e disparou: “Não gosto e nunca gostei de coxinha. Quem gosta é uma pessoa que assiste aos jogos comigo no camarote”. Acabou o mistério.

Noiva cobiçada

A Associação Santistas do Interior, que garante que tem 400 sócios aptos a votar nas próximas eleições, ainda continua com a Santástica União, pelo menos até o dia 1º de dezembro. Aí, decidem que fica ou desembarca de vez da SU. Tudo aponta mesmo para uma ruptura.

Procurados

Integrantes do Santistas do Interior garantem que já foram procurados pela campanha de Nabil Khaznadar.

Contra o tempo

Faltando 15 dias corridos para o registro definitivo das candidaturas, tem grupo se vendo em apuros para arrumar os 240 nomes para composição da chapa.

Contra o tempo 2

Tem muita gente que aposta em uma enxurrada de descontentamentos e até rupturas que poderão acontecer quando a ordem na lista de inscrições das chapas for tornada pública. Ninguém quer ficar acima do número 40 na ordem e os organizadores deverão se ver em apuros para acomodar tantos em tão pouco espaço. Para eles, quanto mais tarde for a divulgação desta lista melhor para não perder apoiadores.

Carpool

Este humilde jornalista e blogueiro gravou uma participação no programa Carpool, que é apresentado por Felipe Mendes, no Facebook. Em breve estará no ar.

A Conferir.

Rádio Cacique de Santos enfrenta uma das maiores crises da sua história

São 65 anos de história no rádio santista, mais precisamente, sua inauguração aconteceu no dia 23 de março de 1952. A Rádio Cacique de Santos AM 1510 khz, que fica na Rua Silva Jardim 480, no Macuco, enfrenta uma das maiores crises da sua história.

No dia 23 de outubro passado, na 3ª Vara do Trabalho de Santos, de um lado da mesa estava o Sindicato dos Radialistas de São Paulo e do outro representantes da empresa, que pertence ao pastor Paulo Alves Corrêa, presidente da Igreja evangélica Assembleia de Deus – Ministério de Santos, há 15 anos. A Cacique, de acordo com o Sindicato dos Radialistas, está sucateada e passa por um desmonte. Atualmente, sua programação é religiosa e se resume a louvores e músicas evangélicas principalmente.

Para piorar, quem trabalha lá enfrenta problema com salários atrasados e o não pagamento de benefícios como vale-refeição e vale-transporte e também a falta de perspectiva de melhora na situação.

A rádio é administrada por seguidores da igreja e a empresa tem como sócios a pastora Pauliane da Cruz Corrêa (filha de Paulo Corrêa) e o também pastor Sergio dos Santos . O Sindicato dos Radialistas de São Paulo, por meio da sua diretoria local, garante que tentou negociar uma saída, mas não houve interesse em conversar por parte da Cacique. Diante disso, os trabalhadores foram para a Justiça.

O Sindicato revelou que vai apelar a todas as instâncias para garantir os direitos dos radialistas, denunciar o caso ao Ministério Público do Trabalho e para a Anatel, solicitando a devolução da concessão pública.

Paulo Alves Corrêa,  presidente de uma das maiores organizações religiosas de nossa região, não está cumprindo com suas obrigações neste caso e deixando os trabalhadores literalmente nas mãos de Deus, que parece não ser o dele.

Para encerrar, vou citar Tiago 4:  “Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado”.

A conferir.

 

As novidades da Política do Peixe – “Nos Bastidores do Santos FC”

Nesta coluna, você vai ficar sabendo que teve grupo participando de evento do outro; tem pedido de dinheiro para os sócios;  expectativa por entrevista de dirigente da DNA entre outras coisas.

“Santástica União Que Queremos”

A campanha do grupo “O Santos Que Queremos”, de Nabil Khaznadar e Fábio Pierry, fez um evento neste fim de semana na Embaixada do Tietê. Houve discurso, propostas de campanha e confraternização. Além disso, teve gente de outro grupo de oposição que foi prestigiar.

“Santástica União Que Queremos 2”

Nabil foi abraçado por integrantes da Santástica União. Estiveram com ele, Gilberto, Clovis Cimino e Claudio Leal. Será que conversaram sobre uma participação no chapão, com Andres Rueda, Quaresma, Peres e Rollo?

Pedido de ajuda

A campanha de Nabil anda enviando mensagens via Whatsapp convidando sócios a participar da chapa para o Conselho Deliberativo e pedindo contribuição em dinheiro para custear a campanha à presidência do Santos.

No azul

Conforme pronunciamento na noite de segunda-feira, em encontro com apoiadores, Modesto Roma confirmou o envio ao Conselho Fiscal do balancete referente ao resultado acumulado no terceiro trimestre. O resultado, conforme anunciado, aponta um superavit superior a R$ 79 milhões (ebitda*) e R$ 27 milhões após ajustes dos custos financeiros. * É a sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

Dinheiro para investir

Com o resultado alcançado no ajuste das despesas e diminuição das contas a pagar feitos nos últimos três anos pela primeira vez nesta gestão o clube terá possibilidade de um investimento maior no time de futebol, sem que isso signifique mais sacrifícios  no fluxo de caixa do clube.

Mudança de cenário

Ainda segundo o mandatário e candidato a reeleição, isso só foi possível pois o clube vai zerar todos os empréstimos bancários hoje em aberto e com isso o valor que se paga de juros e despesas bancárias será canalizado ao esporte.

A hora do time

O clube também enviou, para apreciação do Conselho Fiscal e após aprovação do Conselho Deliberativo o orçamento para 2018. Um dado que chamou a atenção foi que dos quase R$ 300 milhões de receitas previstos quase R$ 200 milhões ficarão com o futebol em todas categorias. Principal, Base e Sereias receberão investimentos significativos no ano que vem.

Não sei!

O candidato a presidente Andres Rueda, da Santástica União, não soube dizer recentemente se o salário do elenco santista está ou não atrasado. Rueda garantiu que não tem acesso a esses dados e que a atual diretoria é que precisa se pronunciar sobre isso.

Agora eu sei!

Como na campanha o que vale é quase sempre falar alguma coisa, Rueda declarou que a situação administrativa do clube é ruim e que o clube está sem dinheiro. Se o empresário não quis falar sobre os salários, será ele que possui dados sobre o caixa do clube?

Expectativa

Existe uma grande expectativa sobre o que o presidente da DNA Santista, Pedro Doria, falou para Felipe Mendes, no Programa Carpool, sobre a saída do grupo da Santástica União.

Churrascada

Domingo, aconteceu uma churrascada organizada pelo clube, em homenagem aos 12 anos do CT. A entrada custou R$ 50,00 para sócios e R$ 80,00 para acompanhantes. A campanha de Modesto Roma foi criticada devido à existência de pessoas vestindo a camisa da “Santos Gigante”.

Corneta com farrofa

Além de tudo, os críticos falaram que faltou comida no churrasco. Em contato com o Blog, os coordenadores da campanha garantem que faltou em apenas 15 minutos, quando os alimentos foram repostos.

Refeitório

A diretoria do Santos inaugura nesta quarta-feira um novo refeitório para os funcionários do clube, ao meio-dia. Estarão presentes 75 convidados, entre autoridades, gestores e sócios.

Vai processar

Lari Franco, musa do Santos FC, perdeu a paciência definitivamente com alguns integrantes de um famoso grupo de oposição. Como vem sofrendo ataques virtuais e sendo xingada de “travesti e garota de programa”, ela garante que já reuniu provas, contratou advogado e vai processar quem falou isso dela.

Comitê na Vila

O grupo “Somos Todos Santos” inaugura no próximo sábado, dia 4 de novembro, mais um comitê. Dessa vez é na Vila Belmiro, das 14 às 20 horas, na Avenida Senador Pinheiro Machado, 301.

Votar na Capital

O eleitor precisa apenas alterar seu domicílio eleitoral, fornecendo os seguintes dados: nome completo, CPF, número de matrícula e documento oficial de identidade. Isso pode ser feito de 3 formas:- Via e-mail, pelo endereço domicilioeleitoral@santosfc.com.br;- Presencialmente, na Secretaria Social do Clube (Rua Princesa Isabel, S/N, Vila Belmiro, Santos);- Presencialmente, na Subsede de São Paulo (Av. Indianópolis, 1772 – Indianópolis, São Paulo).

Votar na Capital 2

O prazo para alteração é até 24 de novembro. Sócios que não solicitarem a alteração até esta data, terão como local de votação a cidade de Santos, independente de onde morem. Para mais informações, acesse: http://www.santosfc.com.br/mesa-do-conselho-deliberativo-i…/

A conferir.

Na hora da morte, o respeito e a cidadania estão em coma

Engana-se quem pensa que os serviços essenciais só não funcionam nas partes mais pobres da Cidade de Santos. Não, eles estão capengando onde tudo é muito caro e de alto luxo também.

Ninguém me contou. Eu e minha família estávamos lá quando aconteceu. Na noite deste sábado, fomos acompanhar o velório de um querido amigo. Por volta das 21h30, a neta do falecido teve um mal-estar e desmaiou.

Como o local é sofisticado e “oferece todo o suporte para as famílias” fomos acionar algum enfermeiro de plantão. Para nossa surpresa, a enfermaria funciona até as 19 horas. Isso mesmo. Num dos maiores cemitérios da região, você só pode passar mal,  levar um tombo, ter um ataque cardíaco até as 19 horas, depois disso, é o famoso “se vire”. Os velórios funcionam até meia-noite e são fechados até as 7 da manhã, por motivos de segurança. Então, não sinta nada ali das 19h à meia-noite, cinco horas para ser exato.

Para aumentar ainda mais o sofrimento de uma família que perdeu seu ente querido, acionamos o SAMU. Aí aparece o lado mais triste. Quem governa esta várzea não precisa e nunca vai precisar de SAMU, então, que se danem os coitados que precisarem desse serviço.

A informação dada é que todas as ambulâncias estavam sendo utilizadas naquele momento e só enviariam uma quando alguém voltasse do atendimento, ou seja, o ideal quando alguém da sua família tiver um problema de saúde é você adivinhar isso antes e já fazer sua reserva, pois senão seu parente vai morrer sem atendimento. Um absurdo da parte da iniciativa privada e outro do Poder Público. Em tempo. A ambulância demorou 50 minutos para chegar.

A conferir.

“A impressão que se tem é que ninguém aprendeu com a tragédia do Regatas”, diz Sérgio Vieira, autor do livro ‘Raimundos – o show que nunca terminou’

O jornalista Sérgio Vieira, de 40 anos, resolveu mexer numa história que tinha tudo para cair no esquecimento. A tragédia que vitimou oito jovens, que tinham entre 14 e 20 anos, na saída do show da banda Raimundos, no dia 8 de novembro de 1997, no Clube de Regatas Santista, na Ponta da Praia, em Santos.  Uma tragédia que contribuiu para uma drástica diminuição desse tipo de entretenimento na Cidade, mas que, mesmo assim, não serviu de exemplo para evitar outros acidentes até maiores pelos Brasil. Sérgio conversou com o Blog Santos Em Off e contou como foi a ideia e a criação do livro ‘Raimundos – o show que nunca terminou’.

Sérgio, como foi aquela noite de 8 de novembro de 1997? O que fazia naquele momento?

Eu não estava no show da banda Raimundos, no Clube de Regatas Santista, mas havia muitos amigos ali. Lembro de, naquela madrugada de sexta para sábado, estar voltando de uma casa noturna no Guarujá e ter estranhado a enorme movimentação de ambulâncias na Avenida Afonso Pena, próximo ao antigo Pronto-Socorro do Macuco. Estava no terceiro ano no curso de Jornalismo na Universidade Santa Cecília e, naquele sábado de manhã, produzimos um jornal impresso sobre o assunto, que foi distribuído no sábado à noite na cidade.

Você quando pensou no livro também tinha aquela sensação que essa história ainda precisava ser contada com mais detalhes?

Com certeza. A história voltou à minha vida em julho deste ano, quando comecei a ver reportagens do aniversário de 10 anos do acidente da TAM, em Congonhas. O local onde funcionava o prédio da TAM Cargo, onde o avião bateu, hoje é um memorial daquele dia triste. E em Santos nunca houve essa lembrança. A minha percepção, quando decidi escrever o livro, era de que a Cidade havia esquecido da tragédia e, principalmente, da dor das oito mães que perderam seus filhos naquela trágica noite. A Cidade nunca se preocupou em ter um memorial, um monumento ou uma lembrança que fosse daquele momento. Elas sequer foram recebidas na Prefeitura de Santos ao longo desses anos. Morreram naquela madrugada Leandro Faria Resende (14 anos), Rodrigo Barbosa Martins (16 anos), José Renato de Salles Neto (16 anos), Camila Iemini Cabral (16 anos), Alex Damião da Silva (16 anos), Luiz Roberto dos Santos Mantovani (18 anos), Bárbara Aparecida da Silva Alves (18 anos) e Pablo Rodolfo Santos Soares (20 anos). Depois de algum tempo da tragédia, a Cidade parou de comentar sobre isso. E hoje o sentimento é de que Santos esqueceu desse momento. Como jornalista, como cidadão e, principalmente como pai, não podia aceitar que isso continuasse acontecendo. Trazer esse assunto à tona novamente é fazer com que ele não caia no esquecimento. Só falando e discutindo esse tema é que podemos evitar que tragédias como essa ocorram de novo.

Você tinha amigos que estavam no show. O que eles relataram pra você de mais impressionante?

Tinha, sim, amigos que acompanharam o show dos Raimundos, que era de lançamento do CD ‘Lapadas do Povo’, o quarto disco da banda. E todos falaram sobre a superlotação do ginásio, a falta de seguranças no local e a venda indiscriminada de bebidas alcoólicas. No livro, entre os depoimentos de quem viu de perto a tragédia, entrevisto um amigo que contou que conseguiu descer da escada segundos antes de desabar o público e a quebra dos corrimões. Foram momentos de terror vividos por quem estava lá, provocado justamente pela decisão equivocada e absurda de se liberar apenas uma porta para a saída do público. Mesmo com a capacidade máxima de 2.606 pessoas, havia naquele momento, segundo laudo do Corpo de Bombeiros, 5.974 pessoas, mais do que o dobro do que seria permitido e do que seria prudente. Tanto amigos quanto entrevistados do livro relatam as horas de horror e o clima logo após a queda. A Rua Francisco Hayden, que dava acesso à saída do ginásio, transformou-se em um pronto-socorro a céu aberto, para onde foram levados inicialmente os jovens resgatados, enquanto aguardavam atendimento profissional e transferências para os prontos-socorros da Cidade.

Santos sempre foi a Cidade dos Shows nas décadas de 80 e 90. Você acha que a tragédia do Regatas foi determinante para o fim dos clubes da Ponta da Praia e também pela diminuição dos shows por aqui?

É verdade. Santos sempre foi um espaço de grande movimentação artística e de surgimentos de movimentos importantes. Basta lembrar do Charlie Brown Jr., do Garage Fuzz, do Murilo Lima, que esteve à frente do Capital Inicial, entre outros nomes importantes. Em entrevistas, integrantes da banda Raimundos sempre falaram da importância de Santos para a carreira deles e da frequência com que vinham se apresentar na Cidade. Tanto que foi na Cidade que planejaram o lançamento nacional do ‘Lapadas do Povo’. Entendo que não foi apenas esse motivo que fez com que os clubes da Ponta da Praia, que ainda resistem e que se reinventaram, enfrentaram momentos difíceis nas décadas de 1990 e no início dos anos 2000. Os clubes, de uma forma geral, tiveram queda na quantidade de sócios e os shows serviam como uma fonte extra de receita. Era o caso do Regatas. O aluguel do ginásio para a apresentação da banda rendeu ao clube, naquela ocasião, R$ 3.500,00. Claro que, depois da tragédia, o número de apresentações musicais diminuiu drasticamente, mas provocado, principalmente, pela dificuldade dos clubes em cumprir as novas regras de segurança impostas pela Prefeitura na ocasião. Tanto é que o Carnaval de 1998 quase inexistiu. Pouquíssimos clubes conseguiram realizar bailes.

Mesmo com essa tragédia, tivemos não há muito tempo, o incêndio e mortes na Boate Kiss, um acidente que é parecido, pois as pessoas morreram, pois não tinham como sair do local. Como avalia esses acidentes 20 anos depois?

Como infelizmente sempre acontece no Brasil, a classe política e as autoridades em geral só decidem tomar providências normalmente após tragédias. A impressão que se tem é que ninguém aprendeu com a tragédia do Regatas e nem mesmo com a da boate Kiss, 15 anos após o caso de Santos. Cerca de um mês após o acidente do Regatas, os vereadores aprovaram projeto, que resultou na lei complementar 292/97, promulgada pelo então prefeito de Santos, Beto Mansur, no dia 22 de dezembro daquele ano. A legislação alterava artigos do Código de Posturas municipal e tornava mais rígidas as exigências para realização de eventos com grande público, como, por exemplo, as presenças de equipe médica e segurança (o que não existiu no Regatas), documentos como auto de vistoria de Corpo de Bombeiros (do clube estava vencido desde fevereiro de 1996), entre outras determinações. Ainda assim, fica a sensação de que a porteira só é fechada depois que escapa a boiada. Não dá para lidar dessa forma com vidas.

Qual o peso que acha que teve essa tragédia com o fim da Banda Raimundos por um tempo, a saída do vocalista e uma volta do grupo muito tempo depois?

Imediatamente após a tragédia a banda interrompeu a turnê e entrou num processo de luto. Eles só voltaram a tocar em março de 1998, quando fizeram uma minitemporada no antigo Palace, em São Paulo, e logo depois fizeram uma turnê pela Europa. Digão, no livro, conta que esse episódio teve um impacto muito grande para o grupo, mas não chegaram a desistir da carreira em respeito aos fãs. Em 30 anos de carreira, o grupo foi marcado por sucessos e por muitas idas e vindas, além de brigas entre os fundadores. A mais emblemática foi a saída do então vocalista Rodolfo Abrantes, que deixou os Raimundos em 2001, quando se converteu à religião evangélica. O fato é que, depois disso, a banda nunca mais manteve o sucesso de antes, mas seguiu adiante, com o Digão nos vocais. O que ficou claro é que ainda é difícil para eles falar da tragédia em Santos e que essa história, assim como no caso dos familiares, não será nunca esquecida.

Essa tragédia ficou impune? quem finalmente foi punido nisso? O que sabe dos processos?

Ficou quase impune. As punições foram consideradas muito brandas, dado o tamanho da tragédia e o resultado com a morte de oito jovens entre 14 e 20 anos. Em primeira instância, em novembro de 2000, foram condenados o então presidente do clube, Reinaldo Gomes Ferreira, a três anos de detenção, regime aberto; Carlos Alessandro Prozzo, dono da Rockstrote, que organizou o show, a quatro anos e seis meses de detenção, regime semiaberto e Valdir Espúrio, arrendatário dos bares no dia do show, a prestação de serviços à comunidade por um ano e seis meses. Em maio de 2004, é publicado o acórdão do recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo. Todas as penas mudaram. Para menos. Reinaldo e Prozzo tiveram as penas convertidas a prestações de serviços à comunidade e à entrega de cinco cestas básicas, cada um, a entidades assistenciais. Valdir Espúrio foi absolvido.

Você acha que ainda estamos sujeitos a tragédia semelhantes?

Esse talvez seja o questionamento mais inquietante e que o lançamento do livro ‘Raimundos – o show que nunca terminou’, no dia 18 de novembro, a partir das 18h30, na livraria Realejo, também tem essa missão, que é de discutir segurança em espaços com grande concentração de pessoas. O poder público precisa enxergar essa questão, lembrar que há 20 anos Santos entrou na triste lista dos maiores acidentes em shows de rock do Brasil e iniciar um processo de discussão e fiscalização. Evidentemente que a situação não é a mesma daquele 1997, mas será que ainda assim estamos garantindo a segurança do público em eventos? É possível ter a certeza de que todos sairão com tranquilidade e seguros? Essa resposta cabe ao poder público municipal, que não pode e não deve, a exemplo do que ocorreu naquele novembro de 1997, fugir de sua responsabilidade. Cabe também à sociedade enxergar esse problema e chamar a atenção caso encontre ou perceba alguma situação que possa gerar insegurança ao público. A responsabilidade é de todos nós para que Santos não sofra novamente por uma tragédia semelhante a essa do show da banda Raimundos.

Serviço

Lançamento do livro ‘Raimundos – o show que nunca terminou’
Data: 18/11/17 a partir das 18h30
Local: Livraria Realejo
Endereço: av. Marechal Deodoro, 2 – Gonzaga – Santos/SP