“Não queremos que Cubatão volte a ser o Vale da Morte”, diz Marly Vicente da Silva, liderança da Vila dos Pescadores

Marly Vicente da Silva é a presidente do Instituto Socioambiental e Cultural da Vila dos Pescadores. Ela é uma das lideranças da comunidade em Cubatão, área carente da cidade. Marly tem ficado à frente de um movimento que tenta paralisar a construção da cava subaquática. A obra, no leito navegável, pode acondicionar 2,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos contaminados dragados no Canal da Piaçaguera, entre eles metais pesados. Essa cava fica ao lado da comunidade

Quantas pessoas vivem na Vila dos Pescadores atualmente?

Aproximadamente 30 mil habitantes.

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VLI -Ultrafértil começa a colocar os resíduos tóxicos na cava subaquática

O Ministério Público Federal recomendou à Cetesb que não desse a licença para executar a obra, mas a estatal não se incomodou e liberou a construção da cava subaquática pela VLI -Ultrafértil em frente à Ilha das Cobras,  entre o  Canal de Piaçaguera e o Rio Cubatão, no interior do Estuário de Santos, em frente à região da Alemoa. O que parece uma simples obra pode tornar-se um desastre ambiental sem proporções e afetar todo o litoral.

A cava subaquática construída  no leito navegável pode acondicionar 2,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos contaminados dragados no Canal da Piaçaguera, entre eles metais pesados. O que vem arrepiando os ambientalistas e especialistas é que a colocação dos resíduos tóxicos estaria sendo feita sem os cuidados necessários e já existiria a dispersão desses poluentes pelo Estuário. Trata-se de uma das das maiores cavas do mundo.

Outro perigo é que a cava fica numa curva e com o aprofundamento do canal para entrada frequente de navios de grande porte, o risco de colisão com a cava subaquática torna-se enorme.

Algo que é definido como “estranho” pelo especialistas é que a cava é considerada uma tecnologia ultrapassada e, portanto, nunca deveria ter sido aceita pela Cetesb. A maneira correta seria o tratamento ou a disposição dos resíduos tóxicos em unidades de confinamento terrestre. Em vários estados americanos, a construção das cavas subaquáticas não é permitida,mas, infelizmente, no Brasil tudo pode.

O material já começou a ser colocado dentro da cava. Agora, já que a obra está pronta, a luta é para tentar brecar o que vem sendo feito. A conferir.