Candidatos a presidente do Santos falam sobre os planos para o Marketing do clube

O Blog Santos Em Off continua, nesta segunda-feira, dia 4 de dezembro, com as entrevistas com os quatro candidatos a presidente do Santos Futebol Clube. A cada dia serão publicadas três perguntas e as respostas de cada um. A ordem de publicação será o das chapas: de 1 a 4. Os temas abordados são: futebol profissional; categorias de base; marketing, administração e finanças, patrimônio, estádio e jogos; relacionamento e marca; sócios.

1- “Movimento Somos Todos Santos”, que traz José Carlos Peres, presidente e Orlando Rollo, vice.
2- “O Santos Que Queremos”, que tem Nabil Khaznadar, presidente e Fábio Pierry, vice.
3- “Santástica União”, com Andres Rueda, presidente, e José Renato Quaresma, vice.
4-“Santos Gigante”, com Modesto Roma Júnior candidato a presidente e César Conforti, vice.

 

José Carlos Peres- Chapa 1

Faça uma análise sobre o atual Marketing do clube?

Muito aquém do que o Santos precisa.

A imagem do clube é ou não bem trabalhado?

Não. E isso, é bom que se diga, não se restringe a ao departamento. Cada notícia ruim, e elas foram e são muitas nesta gestão, atrapalha o desempenho da marca. Recuperar a reputação e a credibilidade são fatores fundamentais.

O que pretende fazer para melhorar esse setor fundamental nos dias de hoje?

Profissionalizar o departamento. Instituir também um departamento comercial. Estar mais aberto a parcerias, entregar mais do que simples exposição. Uma política de licenciamento mais agressiva com a criação de um portal que faça a venda desses produtos no atacado. Um comerciante que queira vender produtos licenciados hoje tem dificuldade em encontrar. São algumas das ações necessárias.

 

Nabil Khaznadar- Chapa 2

Faça uma análise sobre o atual Marketing do clube?

Essa é uma das áreas mais maltratadas por essa gestão. E a dificuldade de encontrar patrocínio é apenas a ponta do iceberg da falta de visão, grandeza e planejamento da atual direção. Essa diretoria apequenou o clube, o tirou da vitrine e diminui sua visibilidade com essa insistência, entre outros erros, de jogar a maioria dos jogos para públicos de cinco, seis mil pessoas. Que grande empresa vai querer se associar a uma instituição que se vende assim? Que canal de televisão irá transmitir uma partida em TV aberta com um estádios às moscas? Como podemos jogar uma partida de quartas de final de Libertadores para 12 mil torcedores? Essas são perguntas têm uma única resposta: incompetência.

A imagem do clube é ou não bem trabalhada?

Pessimamente trabalhada. O Santos se apequenou, perdeu visibilidade e exposição. A falta de transparência é outro fator complicador. Nenhuma grande empresa se associa a um clube dirigido por pessoas que sonegam informações e maquiam dados. Recentemente uma reportagem da ESPN revelou que a atual gestão se valeu de pedaladas fiscais para apresentar um superávit fiscal nas contas. Isso é coisa séria. Não podemos nos esquecer que uma presidenta da República foi derrubada por praticar os mesmos desvios. O clube não pode mais ser administrado dessa forma.

O que pretende fazer para melhorar esse setor fundamental nos dias de hoje?

Primeiro vamos recuperar a imagem do clube no mercado. Para isso vamos abrir a caixa preta. A transparência será um dos princípios fundamentais da minha gestão. Outra medida importante será a transferência dos departamentos de marketing e comercial para a Sub-Sede de São Paulo. Lá estão o mercado publicitário e as grandes empresas. Vamos aproximá-las do clube. A área será comandada pelo Amir Somoggi, um dos maiores especialistas em marketing e negócios do esporte do País. Quero também sentar com a Globo e entender quais as razões que nos tiraram da TV aberta. Um time com a grandeza do Santos não pode perder a visibilidade e ficar escondido da sua torcida.

 

 

 Andres Rueda- Chapa 3

Faça uma análise sobre o atual Marketing do clube?

Esse é um departamento que precisa de mudanças imediatas também. O Santos precisa ser mais agressivo na busca por parceiros, ir ao mercado e mostrar suas estratégias. Não podemos mais ficar atrás de uma mesa. Os profissionais que ocuparem as cadeiras têm que ir a campo. Precisamos entender primeiro o que é marketing e o que é área comercial. Temos que entender o que nosso público deseja e criar produtos para esse público, aumentar a exposição da nossa marca nacional e internacionalmente, só com isso a área comercial conseguirá reverter essas ações em mais receita para o clube.

A imagem do clube é ou não bem trabalhado?

Não, falta muita coisa. O Santos precisa ter diversos setores funcionando dentro do Departamento de Marketing. Aquele que vai atrás de recursos, parceiros, o outro viés que é criar melhor relação com torcedor, o e-commerce que funcione definitivamente. Tudo isso faz com que a receita seja maior e também fortalece a relação com o torcedor. Precisamos dessa relação mais próxima com o clube, pois hoje é distante. Nossa marca vem sendo afetada já ha algum tempo com notícias negativas. Faz pouco menos de 3 anos perdemos vários jogadores por falta de pagamento, denúncias de corrupção na nossa base, derrota vergonhosa em amistoso internacional que nunca deveria ter acontecido, briga com Neymar e por aí vai…. Temos que reerguer nossa marca.

O que pretende fazer para melhorar esse setor fundamental nos dias de hoje?

Contratar pessoas sérias, honestas e capazes. Engajadas em apresentar soluções para os problemas e dispostas a buscar sempre os melhores negócios para o Santos.

 

 

Modesto Roma – Chapa 4

Faça uma análise sobre o atual Marketing do clube?

O Marketing é um setor que consideramos muito importante e que vinha sendo maltratado pela gestão anterior à nossa. A grave crise financeira do clube foi uma herança que tornou mais complicado o nosso desafio de gerar receitas de marketing. Mesmo assim, não nos escondemos. Com um trabalho responsável de recuperação financeira, quitação de dívidas, melhoramos a maneira como o Santos era visto no mercado e conseguimos atrair grandes empresas de volta ao clube. Hoje, temos nossa marca avaliada em R$ 403 milhões, temos ótimos contratos de patrocínios e aumentamos o número de empresas e produtos licenciados em 65%. Agora, com a casa em ordem, vamos gerar mais receitas ainda no próximo triênio.

A imagem do clube é ou não bem trabalhada?

Com certeza é. Nós encontramos o Santos em 2015 com a imagem muito arranhada no mercado por conta da grave crise financeira. Quem iria querer associar sua marca a um clube que não cumpria suas obrigações comerciais, fiscais, judiciais e trabalhistas? Depois que conseguimos equacionar a crise financeira, a situação começou a mudar. O primeiro passo foi recuperar a Certidão Negativa de Débitos, uma exigência, por exemplo, para conseguir o ótimo patrocínio que temos hoje com a CAIXA. Só conseguimos isso porque renegociamos as dívidas fiscais e estamos em dia com elas. O Santos, hoje, não é mais malvisto no mercado. O Santos hoje é um clube que as grandes empresas querem como parceiro.

O que pretende fazer para melhorar esse setor fundamental nos dias de hoje?

Nós temos de continuar crescendo no Marketing. E, com a imagem do Santos em alta, teremos sucesso. Nossa meta é expandir ainda mais a marca do Santos. Com a casa em ordem, vamos setorizar o Marketing com especialistas em cada área para atingirmos mais rápido nossas metas. Vamos criar o setor Comercial, que vai cuidar da venda de propriedades do clube e do relacionamento com nossos parceiros. Teremos o setor de Marca, com o objetivo exclusivo de valorizar ainda mais o nome Santos. Fora o setor de Projetos de Leis de Incentivo, voltado para ações relacionadas a benefícios fiscais. E vamos fazer um sério combate à Pirataria, pensando na valorização dos produtos licenciados.

 

 

 

“Lançar um livro sobre política é se expor”, diz Rogério Godinho

Rogério Godinho é escritor e jornalista. Trabalhou na Gazeta Mercantil, B2B Magazine e Forbes Brasil, além de colaborar para o jornal Valor Econômico e as revistas Istoé Dinheiro e Você S.A. É autor das biografias Tente Outra Vez – O Caminho de Nathalia Blagevitch em uma Sociedade Deficiente, Nunca na solidão – Ética, sustentabilidade e o surgimento da nova política e O Filho da Crise, publicada pela Matrix Editora. Ministra cursos e palestras sobre ética, política e comunicação para o mercado corporativo. Estudou história global e globalização, em Harvard, e frequentou o Massachusetts Institute of Technology (MIT) como aluno visitante de Filosofia. Seu recente trabalho é o livro “Para sonhar com política”. Ele conversou com o blog sobre o processo de criação e o momento do País.

 

Rogério, como é lançar um livro sobre política num ambiente cada vez mais radical e com leitura e opiniões cada vez mais superficiais?

Um risco. Hoje, falar de política é entrar em conflito, principalmente porque há uma intolerância enorme para com o diferente. Em vez de negociar e ceder, o comportamento padrão é impor e se fechar. No que se refere ao conteúdo, cada vez mais aumenta o consumo de memes, a conclusão apressada com base em um título e avaliação com base no que pensa o grupo e não o indivíduo. Lançar um livro sobre política é se expor.

Como surgiu a ideia deste livro?

Meu terceiro livro “Nunca na solidão” já tratava de política. Depois dele, passei a ministrar palestras pelo País, onde eu abordava temas como ética, horizontalidade, estrutura partidária e conceitos filosóficos correlatos.
A cada palestra, o conteúdo crescia e eu resolvi trabalhar em um segundo livro. Só que, em vez de um personagem central, oito que desenhassem um panorama mais amplo. Como o outro, este livro utiliza a narrativa como uma forma de transmitir conceitos. É uma maneira de estudar história, filosofia e ciência política quase sem perceber. Procurei não repetir o primeiro, então é possível dizer que os dois livros se complementam.

Qual foi o critério para escolha dos personagens?

Eu não estava buscando modelos, mas perfis que mostrassem diferentes aspectos da política. Temos desde uma figura nacionalmente famosa como Marina Silva até Wesley Silvestre, um líder comunitário da periferia de São Paulo. Desde um político de carreira como Xico Graziano até um um empreendedor social como Ricardo Young. De um personagem histórico como Oded Grajew até um jovem como Zé Gustavo. Além do contraste, os personagens também se distribuem no tempo. Oded Grajew abre o livro e um novo período da política, quando tem a ideia de criar o Fórum Social Mundial. Depois, Mauricio Brusadin sofre ao enfrentar a estrutura partidária, quando eu aproveito para transmitir algumas teorias, como a Lei de Ferro da Oligarquia. Adiante, Ricardo Young faz um experimento interessante na Câmara dos Vereadores, tentando articular uma ponte entre grupos de interesse diversos. É quando eu busco dissecar alguns mecanismos cognitivos por trás do nosso comportamento na política.

Dá pra dizer que, hoje, Cristovão Buarque e Marina Silva representam um pensamento mais à esquerda, ou você não teve essa preocupação de mesclar pensamentos muito distintos?

É difícil negar que há uma forte vertente progressista no livro. E todos os personagens, em diferentes graus, querem se aproximar disso. Desde um que se declara social-democrata até outros firmemente posicionados como esquerda. Mas o fato é que hoje é cada vez mais difícil se colocar somente dentro de duas caixas. Tanto que não temos hoje dois grupos politicamente consolidados. Ao contrário, temos uma infinidade de forças com uma dificuldade gigantesca para conversar. Então eu sempre procurei trabalhar a política em cima de ideias e não de pessoas. Mas por que afinal fazer um livro destacando personagens? Porque uma de nossas principais dificuldades hoje é olhar além da personalização. Quando considerei isso, eu até pensei em abandonar o personagem real, mas me senti como se fosse fugir do problema. Por isso, resolvi eleger personagens, sabendo que meu leitor ia detestar um ou mais entre eles. O desafio é esse: ser capaz de olhar um personagem e racionalizar, não se deixar refém das paixões. Não fechar em uma caixa de esquerda ou direita, mas identificar o que é positivo e o que não é. E isso vale para tudo. É pegar um grupo ou um projeto de lei e não se afastar porque não gostou de uma pessoa ou de um ponto específico. É ser capaz de articular um diálogo.

Você se surpreendeu com algum dos autores especificamente?

São vários capítulos de cada um deles. É justo dizer que me surpreendi com todos várias vezes, a medida que destrinchava a história. Mas, dentre todos, sempre fico feliz de ter convidado o Wesley Silvestre, criador do movimento de defesa do Parque dos Búfalos na Zona Sul de São Paulo. Todos fazem política e são muito relevantes, mas a dele é essencial.

Como falar de política num momento tão ruim do País, sem ser completamente pessimista com o futuro?

Precisamos acreditar. Por quê? Porque estamos vivos.

A conferir.