O salário e as suas finanças: como não ficar no vermelho, por Edson Moraes*

Em geral, a chegada do final do ano traz angústia e preocupação aos empresários e alívio aos assalariados. De um lado, as despesas com o pagamento de décimo terceiro, férias – pior se forem coletivas –, e a perspectiva de redução nas vendas nos primeiros meses do ano seguinte preocupam os primeiros assim como a receita extra agrada aos segundos.

Em ambos os casos, a solução está no planejamento financeiro. No caso das empresas, a criação de uma provisão efetiva ao longo do ano, além daquela efetuada na contabilidade, garante que o fluxo de caixa não seja afetado com as despesas adicionais do final do exercício fiscal, resolvendo qualquer desequilíbrio. Uma consultoria especializada pode ajudar a equalizar esta questão e resolver o problema da gestão financeira, principalmente em empresas com produtos ou serviços que sofrem com a sazonalidade, em que as despesas certamente seguirão implacáveis e ocorrerão todos os meses, mas as receitas, nem sempre.

No caso dos assalariados, receber o décimo terceiro salário e as férias pode se tornar um evento com sentimentos ambivalentes no tempo. Inicialmente, um alívio, tanto para aqueles que têm dívidas acumuladas e podem usar a receita extra para quitá-las, quanto para os que não as têm, casos raros atualmente. Num segundo momento, pode ser uma angústia.

Explico: o risco está em utilizar inadequadamente a renda adicional e perceber, durante o período de festas ou de férias, que há mais dias que dinheiro até o próximo crédito. Ao receber salário, décimo terceiro e férias em dezembro, o pagamento do mês seguinte só virá em meados de fevereiro, quase 60 dias após ter recebido o líquido de férias. Aquela sensação boa de ter recebido “muito dinheiro de uma vez” será substituída pela angústia de perceber que o tempo é mais longo que as necessidades. Muitas vezes, é nesse momento que novas dívidas se iniciam, com a resolução ocorrendo somente no final do ano, repetindo-se o ciclo aparentemente infindável de angústia e juros.

O segredo, qualquer que seja a situação, é pensar em um prazo mais longo. Comece identificando todas as despesas que terá até que o próximo crédito de salário ocorra e reserve o valor necessário para quitá-las. A partir daí, pense em como gastar o que sobrar, caso sobre. Se ainda faltar, procure divertir-se em casa, com amigos próximos e em programas alternativos ou gratuitos. Use a criatividade. Geralmente é mais barato.

Pensando um pouco mais longe, para se ter muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender no ano que vai nascer, procure se organizar a partir de agora. Conheça, estime e acompanhe periodicamente suas receitas e despesas. Isto é essencial para qualquer planejamento, seja para a gestão financeira do dia a dia ou para atingir objetivos de médio ou longo prazo, como sair em viagem, permitir que algum filho ou filha, ou você mesmo, curse uma boa universidade, no Brasil ou no exterior, ou comprar um imóvel.

Deixar que receitas e, principalmente, despesas sigam sem acompanhamento e controle faz com que a perspectiva de um futuro financeiro fique à mercê da sorte. Conhecer e gerir sua vida financeira certamente permitirá ajustes ao longo do período e garantirá a geração de reserva para atingir seus planos.

Aliás, o planejamento financeiro só faz sentido se houver objetivos a se buscar. Trace metas que sejam significativas e as transforme em números para que os seus resultados sejam possíveis de mensuração e acompanhamento. Uma vez que dinheiro é um meio e não um fim, se não tivermos objetivos, para que teremos uma poupança? Será que a ausência de desejos realizáveis faz com que se poupe tão pouco neste país?

*Edson Moraes é sócio do Espaço Meio – https://espacomeio.com.br, Executive Coach desde 2014 e Consultor (Gestão & Governança) desde 2003. Foi Executivo do Bank of America entre 1982 e 2003. Seguiu carreira na Área de Tecnologia da Informação, foi Head do Escritório de Projetos e CIO por 4 anos. É Master em Project Management pela George Washington University. Participou de programas de educação executiva na área de TI ( Stanford University, Business School São Paulo e Fundação Getúlio Vargas). Formado em Comunicação Social – Jornalismo pela PUC/SP. É Conselheiro de Administração formado pelo IBGC, Coach pelo Instituto EcoSocial e certificado pelo ICF. Articulista e palestrante nas áreas de Governança, Tecnologia da Informação e Gestão de Projetos.

 

“Os deputados da Baixada Santista estão apenas voltados para seus pequenos interesses eleitorais, com um horizonte super reduzido”, diz José Manoel Ferreira Gonçalves

José Manoel Ferreira Gonçalves é doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Itajubá. Engenheiro Civil (Universidade Mackenzie), Jornalista (Fundação Cásper Libero) e Advogado (Universidade Santa Cecília). Pós-graduado em Geoprocessamento (UFRJ), Termofluidomecânica (EFEI), Eng. Oceânica (Coppe-UFRJ) e História da Arte pela Fundação Armando Álvares Penteado FAAP. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA- Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo e autor de quatro livros sobre ferrovias. É um dos principais especialistas em modal ferroviário e ferrovias no País.  A seguir, Gonçalves faz uma avaliação da situação do transporte e das estradas de ferro pelo Brasil.

Qual é a realidade da malha ferroviária do País?

É lamentável a situação a que chegamos. Há 20 anos, com a extinção da Rede Ferroviária Federal e a Fepasa, foram feitas concessões muito mal elaboradas, com contratos péssimos, que facilitaram a prática de monopólio dos trilhos existentes, sem cuidar da qualidade dos serviços muito mal prestados. O resultado foi e continua sendo o fechamento de ramais ferroviários e até mesmo de trechos de troncos ferroviários em todo o País. Hoje temos cerca de 15 mil quilômetros em funcionamento. Dos 4 mil existentes em SP, funcionam neste momento apenas 2 mil. Uma vergonha!

 

Quais são os maiores absurdos que constatou pelas suas viagens pelo País?

A falta de projetos sérios e estruturados, com a identificação das demandas de cargas, a desconexão das malhas existentes entre si e com os portos. O desconsiderado direito de passagem, justo e equilibrado, que leve em conta os interesses do País e não apenas os mesquinhos interesses menores de grupos míopes, ambiciosos e paroquiais. Um exemplo disso: faz três anos que um trecho de mais de 800 km da ferrovia Norte-Sul, entre Anápolis, em Goiás, e Palmas, no Tocantins, continua inoperante. Só de frete isso significa que desperdiçamos mais de R$ 1 bilhão  por ano.

Como anda a questão da renovação antecipada da concessão da malha ferroviária paulista?

A Ferrofrente, com o apoio da Federação Nacional dos Engenheiros Ferroviários, entrou com uma ADI- Ação Direta de Inconstitucionalidade- contra essa absurda renovação antecipada da chamada malha paulista. A forma como isso foi proposto, a incapacidade dos órgãos do governo negociarem, ouvindo as sugestões e críticas de diversos segmento do setor ferroviário, e a inação da ANTT- Agencia Nacional dos Transportes Terrestres- autorizam a percepção geral de que algo nada ético e republicano esteja sendo imposto pelo governo com o conluio das concessionárias, na prática colocando o País como refém de interesses bastante discutíveis.

O País continua investindo no transporte em cima dos caminhões por comodidade ou incompetência ?

Por omissão criminosa não apenas dos políticos e dos diversos governos, mas também é necessário que se diga de forma clara, da nossa sociedade que simplifica, se acovarda e mantem medíocres e hipócritas governantes que insistem em não perceber que o Brasil precisa de projetos ou planos de Estado e não apenas de governos débeis e fracos.

Existem deputados federais engajados na luta pela volta e recuperação das ferrovias do Brasil?

Existem sim. São poucos. Da bancada da Baixada Santista, por exemplo, não se salva nenhum. Estão apenas voltados para seus pequenos interesses eleitorais, com um horizonte super reduzido e nada generosos. Uma pena. Em termos nacionais, merece todo o nosso respeito e admiração parlamentares como o Ronaldo Lessa, presidente de uma importante Frente Parlamentar pela Engenharia Nacional.

Como avalia a matéria do Fantástico sobre a Ferrovia Norte-Sul? Acha que as coisas vão começar a andar ou não podemos esperar nada até a eleição do novo presidente da República e do novo Congresso Nacional?

Esse governo que ai está, capenga, disforme, trôpego e que tomou o poder legítimo de uma presidente eleita, não foi processada por corrupção, como ocorre agora, é absolutamente incapaz, impatriótico, frágil, ilegítimo e suspeito, dele espero apenas a renúncia imediata e a convocação de eleições gerais antecipadas.Quanto a matéria do Fantástico, da TV Globo, sem dúvida foi uma matéria de alerta e denúncia importante. A repórter especial Sônia Bridi e a equipe de produção do programa fizeram um ótimo trabalho, sério e profundo que poderá muito bem inspirar outros veículos a seguir caminho parecido.

Como é e está servida a Baixada Santista de malha ferroviária? Está quase tudo abandonado?

A nossa querida Baixada Santista está muito mal representada no parlamento nacional e também estadual. Já tivemos excelentes parlamentares que defendiam com vigor e coragem os mais significativos interesses do povo da região, coisa que infelizmente ficou no passado. As ferrovias existentes na Baixada também estão sofrendo a falta de uma representação mais capaz e firme.

 

PS de Vicente de Carvalho vive dias de hospital de guerra

​Reprodução

Que todas as cidades da Baixada Santista têm problemas com os serviços de saúde pública não há novidade nisso. Agora, quando a situação de um Pronto-Socorro  comparada à de um hospital de guerra, aí tudo fugiu do controle.

Valter Suman, apesar de ser médico e ter dado uma passada pelo PS de Vicente de Carvalho-anexo do Hospital Emílio Ribas- após sua eleição para prefeito de Guarujá, a unidade de saúde que atende boa parte da população carente de Vicente de Carvalho, mostra o caos no seu dia a dia.

O Blog Santos em Off apurou que além de viver superlotada, o PS apresenta sinais de abandono. Não tem médico para atendimento; o cheiro na unidade beira o insuportável; as pessoas são mal-atendidas na recepção, um serviço comparado ao prestado nas delegacias de polícia. O pior: se não tiver algum conhecimento lá dentro, o paciente vai ficar jogado até que alguém tenha boa vontade.

“Parece o hospital de guerra do Vietnã”, disse um rapaz que foi levar um parente pra ser atendido lá.A conferir.