SPU paralisa definitivamente cava subaquática da VLI-Ultrafértil

Essa história serviria pra escrever um romance policial-político. Tem poder econômico, espionagem, influência política, corrupção, Justiça, ministros, empresários, meio ambiente etc. 

Vamos direto ao assunto, pois tem jornalão centenário que vai “esquecer” de publicar. 

A Superintendência do Patrimônio da União de São Paulo (SPU) determinou a paralisação imediata da cava subaquática, que está sendo preenchida com sedimentos contaminados dragados no Canal do Piaçaguera, em frente à Ilha das Cobras, em Cubatão. A obra pertence à VLI- Ultrafértil.

Já que a história tem características policiais, como dizem na malandragem: “o bagulho ficou sério”.

A obra já foi paralisada pela Justiça e liberada. Já havia sido parada pelo SPU, mas a influência de um “político da região” junto a ministros do Governo Temer conseguiu que a SPU em Brasília mudasse a decisão da SPU de São Paulo. Um detalhe importante é que isso não impede a dragagem do Estuário de Santos, mas, apenas, a colocação dos resíduos dentro da cava. Uma desculpa a menos.

O superintendente Robson Tuma insistiu e a obra foi definitivamente interrompida. O motivo é a falta do certificado de uso do espelho d’água.

Quando você pretende construir algo, um píer, por exemplo, em águas que pertençam à União, é exigido esse documento. O Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam) apresentou uma série de documentos, menos este. Isso pelo fato dos proprietários da Ilha das Cobras, que pretendem construir o T-Green (terminal portuário) ali, terem solicitado o documento e ele está sob análise da SPU, ou seja, você não pode solicitar esse documento se ele já foi pedido anteriormente. Não tem choro.
Isso tudo pode mudar? Bom, no Brasil tudo é permitido para alguns, mas os ministros do combalido Governo Temer não estariam dispostos a intervir politicamente num caso que tem tudo pra virar um escândalo mundial e, atualmente, mais uma novela “Gedel Mala de Dinheiro Vieira” poderia implodir definitivamente a gestão Temer.

A cava subaquática foi construída  no leito navegável e pode acondicionar 2,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos contaminados dragados no Canal da Piaçaguera, entre eles metais pesados. O que vem arrepiando os ambientalistas e especialistas é que a colocação dos resíduos tóxicos estaria sendo feita sem os cuidados necessários e já existiria a dispersão desses poluentes pelo Estuário. Trata-se de uma das das maiores cavas do mundo.

Outro perigo é que a cava fica numa curva e com o aprofundamento do canal para entrada frequente de navios de grande porte, o risco de colisão com a cava subaquática torna-se enorme.

Algo que é definido como “estranho” pelo especialistas é que a cava é considerada uma tecnologia ultrapassada e, portanto, nunca deveria ter sido aceita pela Cetesb. A maneira correta seria o tratamento ou a disposição dos resíduos tóxicos em unidades de confinamento terrestre. Em vários estados americanos, a construção das cavas subaquáticas não é permitida
A conferir.

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