Damos sequência à série de matérias sobre os escândalos na Santa Casa de Santos. Esta envolve a segunda vertente mais importante da vocação pública do hospital: a Educação. E mais uma vez a controversa figura do vice provedor Luiz Simões Polaco Filho, aparece prejudicando a Santa Casa de Santos em favorecimento aos seus amigos e familiares.

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Agora, Polaco beneficia a Família Teixeira e a Unisanta em detrimento do hospital onde é diretor. Os contratos de estágio e residência, que sempre foram uma “caixa-preta” dentro da Santa Casa de Santos. Muitas “ilibadas” instituições de ensino da área de Saúde mandavam seus alunos para realizar estágios obrigatórios na Santa Casa de Santos e, em nada, colaboravam financeiramente com o hospital. Vendiam seus cursos técnicos em Auxiliar de Enfermagem e até universitários como Enfermagem, Fisioterapia, e Medicina com destaque para os “estágios na Santa Casa” como forma de atrair o alunado e nada, absolutamente nada, pagavam ao hospital por abrigar e capacitar seus alunos.

Os alunos pagavam a instituição, vinham aprender a profissão na prática na Santa Casa que nada obtinha em troca nesse negócio. O hospital complementava a capacitação profissional desses alunos abrindo suas portas e dividindo seu know-how de médicos com os estudantes, que aprendiam Saúde na prática e a entidade nada recebia por isso. Era usada para manter os negócios educacionais de gente poderosa de sobrenome na Cidade que adora sair em coluna social a ponto de inclusive criarem veículos como revistas para satisfazer seus egos (mas isso também abordaremos em outra reportagem). Única exceção era a Medicina/Unimes, que devia mais de R$ 400 mil à Santa Casa em 2015.

Mas, a instituição mudou sua postura subserviente na área Educacional e resolveu cobrar por esse seu trabalho. Toda vez que renovou nos últimos anos os termos de Estágio com Entidades de Ensino, passou a exigir das escolas alguma contrapartida para a Santa Casa. Hoje, todas as instituições destinam recursos em vultosas quantias para a Santa Casa de Santos e a própria Unimes, cujos estudantes de Medicina fazem residência no hospital, já equacionou sua dívida anterior e paga em dia.

Todas as instituições, desde as técnicas como a Ebracon e a Escola Modelo, até as universitárias como a UniSantos e o Centro São Judas passaram a destinar recursos financeiros ao hospital como contrapartida do ensino de seus alunos. Esses recursos eram negociados e acordados nos novos termos de estágios entre o hospital e as escolas assim que os anteriores se encerassem.

Pelo menos uma vez na história do primeiro hospital, os interesses da irmandade foram colocados à frente dos interesses dos poderosos da Cidade, como os proprietários de escolas. A estratégia rende cerca de R$ 100 mil mensais ao hospital, segundo dados que nos chegaram via dossiê.

Mas, um elo “fraco” na atual Mesa Diretiva quebrou essa estratégia de fortalecimento de caixa do hospital. O vice-provedor Luiz Polaco resolveu puxar para si a resolução da renovação de contratos de estágio de Fisioterapia com a Universidade Santa Cecília, evidentemente para fazer uma “média” com a Família Teixeira, a quem é umbilicalmente ligado, usando mais uma vez o hospital para seus interesses próprios.

Polaco puxou para si a renovação do contrato de estágio da Unisanta na área de Fisioterapia e não seguiu o deliberado pela Mesa Diretiva de cobrar contrapartidas financeiras de todas as entidades de ensino. Tudo para favorecer os amigos em detrimento do hospital. Mas esperar o que de um vice-provedor que dá aumento e diminui a carga de trabalho da noiva, patrocina peças espíritas do filho e ainda se utiliza do nome de gente morta para fazer ataques políticos dentro de uma instituição como a Santa Casa?

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Aparentemente para agradar Marcelo Teixeira, com quem divide o comando do Conselho do Santos (onde Teixeira é presidente e Polaco um dos vices) e tem longa história de relação pessoal. Ele renovou o compromisso de estágio entre a Universidade Santa Cecília e a Santa Casa sem pedir nenhuma contrapartida para a entidade.

O dossiê que chegou a este blog traz diversas mensagens eletrônicas de dirigentes da Santa Casa à Unisanta a fim de renovar o contrato de estágio entre as entidades e definir uma contrapartida por parte da família Teixeira para a Santa Casa. Os e-mails deste dossiê são anteriores a data do novo acerto articulado por Polaco.

Teria Polaco privilegiado à Unisanta, onde não tem vínculo diretivo ou empregatício algum, à Santa Casa, onde é vice-provedor, tudo em nome da amizade? Tudo que indica que sim e o pior: Polaco é réu confesso.

Dia 4 de setembro, Polaco compareceu ao Jornal da Litoral, da Litoral FM (uma das locatárias da Santa Casa que também será tema de reportagem) para dar entrevista à Jovem Pan, de Paulo Schiff, uns dias antes atacando a Santa Casa e a Mesa Diretiva que ele mesmo integra. Polaco agradeceu à família Mussi o convite e destilou veneno e denúncias sem apresentar provas. Quem quiser conferir a integra do programa assista:

Durante a entrevista, Polaco é “muito bem conduzido” pelo radialista Roberto César que fazia questão de explicar tudo o que a idade e a dificuldade de compreensão de Polaco não conseguiam esclarecer. Parecia que César sabia mais que Polaco do caso, mas isso vamos esclarecer em uma reportagem futura.

Entre as acusações, Polaco insinua deixando no ar que um gerente da Santa Casa teria pedido “contrapartidas pessoais” à Unisanta para renovar o contrato de estágio de Fisioterapia. Para comprovar a denúncia, Polaco aparece com um e-mail do diretor jurídico da Unisanta, Marcelo Henrique Gazzolli Veronez, à diretora de Saúde, Caroline Teixeira (filha de Marcelo Teixeira). O e-mail data de dois dias após Polaco ter feito Feliciano assinar uma prorrogação do compromisso de estágio vigente.

Nele, Veronez relata a Caroline ter sido contatado por Augusto Capodicasa e que o diretor da Santa Casa alertou para a ausência de contrapartida ao hospital no novo acerto de estágio de fisioterapia e que isso deveria ser equacionado de alguma forma. Polaco conclui e deixa no ar que Capodicasa pediu favorecimento pessoal, mas mesmo lendo o e-mail é claro que o diretor está pedindo uma contrapartida para a Santa Casa e não para si próprio. Confira a denúncia específica do tema abaixo em vídeo recortado da íntegra do programa:

No vídeo, é possível constatar que a denúncia de Polaco é infundada, sendo mais um devaneio do vice-provedor que lê e interpreta os fatos da sua maneira. Qualquer criança lendo a conversa sabe que a cobrança apenas visa favorecer à Santa Casa. Ao fazer esse tipo de denúncia sem fundamento e que só prejudica o hospital, parece que age mais como um lobista da Unisanta junto à Santa Casa do que defensor dos interesses da Irmandade, sua obrigação como vice-provedor eleito que é.

Vamos aos fatos:
1- Como Polaco tem em seu poder um e-mail interno entre diretores da Unisanta, se nem membro da Universidade ele é? Alguém deve ter dado a ele, e as suspeitas recaem sobre Marcelo Teixeira, que atua com Polaco na Mesa do Conselho do Santos FC.
2- Advogado de renome, Polaco não percebeu ao ler o e-mail que o gerente do hospital está claramente defendendo a Santa Casa?
3- Por que e por qual interesse o vice-provedor da Santa Casa não quer cobrar os estágios da Unisanta e aceita cobrar caro da Unisantos, Unimes, Unimonte, e outras instituições?

Está evidente o comportamento errante de Polaco dentro da Santa Casa de Santos neste caso. Em um dos contatos que manteve com este blog, Polaco foi questionado sobre a polêmica do e-mail. Leia abaixo:

Santos em Off- É verdade que o Marcelo Teixeira te entregou um e-mail interno do diretor jurídico do Santa Cecília para a Diretora de Saúde?
Luiz Polaco – Os assuntos do Dr. Marcelo Teixeira, com o Departamento Jurídico do Santa Cecília, e a diretora de saúde, são particulares entre eles e eu não me envolvo.

Agora abaixo reproduzimos o que Polaco disse na rádio Litoral (cujos vídeos estão acima) sobre o caso e ele lê um e-mail de diretores da Unisanta:

Luiz Polaco – Eu fui lá na Unisanta atendendo a chamada do Marcelo Teixeira para tratar assunto do Santos Futebol Clube junto com os demais membros da Mesa.Terminado assunto que deveria ser relacionado com o Santos eu ia saindo a professora Sílvia Teixeira nos chamou. Nós nos conhecemos há muito tempo, desde do tempo do Professor Milton Teixeira. Ela disse que precisava falar comigo.Tomamos um café junto com a Carolina que é filha do Marcelo Teixeira. Aí, ela me pediu que eu conversasse com o provedor sobre a prorrogação de um contrato por aditamento de um convênio que o hospital tem com os alunos de fisioterapia da Universidade. Disse que não tem problema.Eu vou para lá agora e quando eu chegar, eu falo com ele.Ele chegou e comentei com ele que me disse: Polaco fique à vontade para tratar disso. Eu, de cautela, pedi o procedimento com a dona Neide.O contrato original do convênio que foi assinado pelo Dr.Ballerini representando a Santa Casa, e vi que o mesmo tem a prorrogação através de dois aditamentos.Estava tudo correto.Aí,eu telefonei para professora Sílvia e disse que ela poderia fazer um novo termo de aditamento igual ao último que foi feito. Ela assim procedeu, assinando ela, a professora Lúcia Teixeira e o Marcelo Teixeira. Na sequência fui tomar a assinatura do dr.Ariovaldo e guardei a documentação na pasta do tema. Passam-se alguns dias o seu Augusto Capodicasa telefona lá para Universidade Santa Cecília e mantém contato com o senhor Marcelo Henrique do Departamento Jurídico nos seguintes termos que o dr. Marcelo transmitiu por e-mail para Dra Carolina que é diretora da fisioterapia: Doutora Carolina Teixeira, Boa tarde.Acabo de receber telefonema do senhor Augusto Capodicasa que disse que ligou para mim antes de tomar qualquer medida por eu ter ser uma pessoa de contacto que ele conhece dentro da Unisanta, relatando um mal estar dentro da Irmandade em Face da renovação do contrato de estágio em Fisioterapia dos alunos da Unisanta no Hospital Santa Casa da Misericórdia de Santos . Isto porque o vice provedor Dr Polaco apresentou ao provedor Dr Ariovaldo a renovação do contrato sem observar o trâmite exigido internamente, seja mediante parecer prévio do departamento jurídico da procuradoria geral e da mesa administrativa da Irmandade.Ele relatou que o provedor teria assinado imaginando que todo o trânsito houvera sido respeitado.Disse-me Augusto que não se vai tomar por hora uma medida bruta,como por exemplo vetar o ingresso dos estudantes da Unisanta no hospital,mas que se faz necessário a definição de uma contrapartida assim como está ocorrendo com todas as outras faculdades que estão utilizando o hospital para estágio. A quantia que está sendo praticada em fisioterapia tem sido em torno de R$ 110,00 por aluno mas que incendiou a Unisanta pode ser de R$ 90,00 por aluno. Ele disse que a nossa quantidade tem sido em torno de 120 alunos o que redundaria em algo após aproximadamente de R$ 10.000,00 pediu que eu desse um retorno formal e insistiu que já um clima de mal-estar entre o vice provedor e a mesa administrativa.Peço a gentileza de deliberar a respeito, disse o e-mail do jurídico da Unisanta ao seu departamento de Saúde”.

Roberto Cesar- “Essa participação dos alunos existe o pagamento de algum por esses serviços só para eu entender melhor essa situação”

Luiz Polaco-“Eu vou explicar.Isso é um absurdo.O que pode ser feito no hospital, eu falo diante da minha experiência que eu tenho dentro da Santa Casa por mais de 30 anos. Pode negociar com a universidade amigavelmente um valor de contribuição, mas não pode ser um valor “destes”. Eu vou ler este documento: – A Santa Casa da Misericórdia de Santos pela portaria interministerial 2018 de 26 de novembro de 2007 assinada pelos ministros da Educação e da Saúde foi declarada com o hospital ensino com esta certificação passou a receber quarta adicional de recursos para aplicação na melhoria contínua da qualidade nos atendimentos e a excelência no serviço médico-hospitalar.Então o Governo já manda verbas justamente para atender a essa finalidade então não há como se exigir por parte da Santa Casa às instituições de Ensino dinheiro para que os alunos possam fazer o curso, porque senão a Santa Casa perde essa qualidade de hospital ensino.

Roberto Cesar-“E como estava sendo o trabalho dos alunos de fisioterapia da Unisanta como o senhor avalia o trabalho de lá dentro do trabalho dos Estagiários”.

Luiz Polaco –“É o seguinte. Realmente eles vão lá para adquirir experiência.Mas não há dúvida que o fato de ele estar em lá dentro e auxiliando as pessoas que exercem essas funções como funcionários da Santa Casa ajudam no sentido de que a Santa Casa não precisará contratar outro funcionário fazerem aquilo que os alunos de Fisioterapia estavam sendo qualificados para fazer essa é a vantagem a dupla vantagem”.

Por que na rádio Polaco leu um e-mail interno da Unisanta e depois, a este jornalista, disse que nada tinha a ver com isso? Será que Polaco está com amnésia ou alguma doença que leva ao esquecimento de fatos recentes? Ou teria tomado um enquadramento de quem lhe deu acesso a uma comunicação interna da Unisanta? Ou teria Polaco contato com os hackers que auxiliam o jornal Interception Brasil a desvendar as ilegalidades de Sergio Moro na Operação Lava-Jato?
Fato é que pelo que chegou no dossiê entregue ao blog, a titulação de hospital-escola realmente dá vantagens financeiras à Santa Casa, que são repassadas por bolsas a residentes e pouco ficando no caixa do hospital. Residentes em Medicina, ou seja, futuros médicos recebem bolsas auxílio via Santa Casa. Mas, isso não impede cobrança de outras instituições como Polaco insinua que a Santa Casa não pode fazer.
Vejamos, como Polaco teve acesso a um e-mail entre um diretor da Unisanta e um membro da Família Teixeira? Quem dos dois teria dado esse acesso? Segundo o dossiê entregue ao blog, sem mostrar nenhuma prova disso, o responsável por ter dado acesso a este e-mail a Polaco é Marcelo Teixeira, que além de trabalhar com Polaco na direção do Conselho do Santos FC é “irmão” da Santa Casa. Ou seja, membro do Conselho do Hospital e se considerou como insinua Polaco ter tido sofrido qualquer tentativa de suborno por um funcionário da Santa Casa tem dever estatutário de levar o assunto ao Conselho, coisa que não o fez.Concluímos que se Teixeira nada fez é porque não deve ser fato.

A Cidade toda conhece os embates públicos entre Capodicasa e Marcelo Teixeira, que culminaram na saída do programa Ação & Reação da Santa Cecília TV para a TV Com. Além disso, a TV é também locatária da irmandade em terreno utilizado por uma de suas antenas cuja renovação foi endurecida por Capodicasa, ou seja, há razões para o embate entre os Teixeira e Capodicasa e Feliciano mesmo dentro do hospital.

Mas, quem conhece Marcelo Teixeira sabe que ele nunca faltou em auxiliar a Santa Casa quando a instituição precisou. Já fez muito pelo hospital e é uma voz respeitada pelos irmãos por isso. E jamais se esconderia atrás de alguém para defender os interesses de sua família. Segundo informações que chegam do Santos FC, o vazamento do e-mail deixou Teixeira irritado com Polaco que já o avisou para não mais falar do tema e não mais ingerir em assuntos da universidade em suas brigas políticas na irmandade.

É evidente que Polaco usa sua “proximidade” com os Teixeira para atacar seus adversários na eleição da irmandade em fevereiro próximo, onde ele nega para este jornalista, mas fala pelos corredores e em gravações que será candidato a provedor. Como se contradiz sozinho esse Polaco. Primeiro dá aumento à noiva que apresentou para toda Cidade. Depois diz que a noiva não é noiva. Faz com que a “Santa” Casa patrocine peças do filho (aguardem densa e esclarecedora matéria sobre o tema que estamos desenvolvendo). Promete vantagens em uma futura gestão a funcionários do hospital. E ainda usa “o chapéu” da irmandade para “auxiliar” seus aliados políticos em outros locais como o Santos FC.

O cerne da questão é que enquanto diretores e conselheiros do hospital vão à mídia discutir suas brigas políticas internas por causa do “alto” investimento de R$ 10 mil, vidas se perdem nos corredores do primeiro hospital brasileiro. Uma pena!
Na próxima reportagem vamos mostras os interesses das chamadas “Forças Vivas da Cidade” nos terrenos de posse da Santa Casa de Santos.

Outro lado

Este jornalista foi procurado pelo pró-reitor administrativo da Unisanta Marcelo Teixeira e pelo diretor jurídico da universidade, Marcelo Henrique Gazzolli Veronez. Nenhum deles esclareceu como Polaco teve acesso a um e-mail de Marcelo Henrique para Caroline Teixeira. Quero deixar claro que nada ilegal foi relatado nessa coluna, e a Unisanta possui contratos legais e que são cumpridos com a Irmandade. Se o hospital cobra de outras instituições e não cobra do Santa Cecília, a culpa é de quem produziu e viabilizou o contrato, no caso Polaco, e não da universidade que já auxiliou em inúmeros casos o hospital e faz parte do Conselho, já que Marcelo Teixeira compõe a irmandade mantenedora do hospital. Quem prevaricou na função para a qual foi eleito foi Polaco. Afinal, ninguém da Unisanta tem nada a ver com isso.

A conferir.