Na hora da morte, o respeito e a cidadania estão em coma

Engana-se quem pensa que os serviços essenciais só não funcionam nas partes mais pobres da Cidade de Santos. Não, eles estão capengando onde tudo é muito caro e de alto luxo também.

Ninguém me contou. Eu e minha família estávamos lá quando aconteceu. Na noite deste sábado, fomos acompanhar o velório de um querido amigo. Por volta das 21h30, a neta do falecido teve um mal-estar e desmaiou.

Como o local é sofisticado e “oferece todo o suporte para as famílias” fomos acionar algum enfermeiro de plantão. Para nossa surpresa, a enfermaria funciona até as 19 horas. Isso mesmo. Num dos maiores cemitérios da região, você só pode passar mal,  levar um tombo, ter um ataque cardíaco até as 19 horas, depois disso, é o famoso “se vire”. Os velórios funcionam até meia-noite e são fechados até as 7 da manhã, por motivos de segurança. Então, não sinta nada ali das 19h à meia-noite, cinco horas para ser exato.

Para aumentar ainda mais o sofrimento de uma família que perdeu seu ente querido, acionamos o SAMU. Aí aparece o lado mais triste. Quem governa esta várzea não precisa e nunca vai precisar de SAMU, então, que se danem os coitados que precisarem desse serviço.

A informação dada é que todas as ambulâncias estavam sendo utilizadas naquele momento e só enviariam uma quando alguém voltasse do atendimento, ou seja, o ideal quando alguém da sua família tiver um problema de saúde é você adivinhar isso antes e já fazer sua reserva, pois senão seu parente vai morrer sem atendimento. Um absurdo da parte da iniciativa privada e outro do Poder Público. Em tempo. A ambulância demorou 50 minutos para chegar.

A conferir.

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