Graziela Rocha Raymundo é economista, consultora empresarial e administradora do Grupo Network Share- Linkedin. Ela conversou com o Blog Santos Em Off e detalhou como anda o desemprego e o mercado de trabalho para as mulheres.

Qual é sua avaliação sobre mercado de trabalho e o desemprego neste momento?

Os acontecimentos são cíclicos, acredito que a fase mais crítica já passou. A partir do segundo semestre de 2015 e 2016, foram os períodos de intensa alta no desemprego, onde tivemos um cenário até então, não pertencente ao nosso contexto contemporâneo. Indústrias e suas filiais, empresas de diversos tamanhos e ramos, consolidadas no mercado, fechando suas portas. Consequentemente, devolvendo ao ócio, milhões de profissionais diretos ou indiretamente, ligados e interligados nesta relação que se formou, de causa e efeito. Nosso próprio mercado teve de se reformular, se reinventar, bem como, nossos profissionais. Em 2017, vi muitas mudanças significativas acontecendo, em virtude desta atribulação. A tecnologia imperando a passos óticos, deixando para o passado, a mão de obra, ainda realizada, ontem, manualmente, em diversas áreas e com as mais diferentes ferramentas. Sem deixar de ressaltar que, novas formas de se trabalhar, foram inventadas, criadas, recriadas, reformuladas, renovadas por uma parte dos profissionais, que começaram a oferecer estes produtos e serviços, aos consumidores finais, em um mercado paralelo aos números que temos oficiais, usando de uma dose extra de criatividade. Para outra parte de profissionais que buscam recolocação, na sua área de atuação, no seu antigo cargo ou função, vejo no momento, muitas recolocações, muitos depoimentos de retorno ao trabalho sim, na segunda metade de fevereiro até o momento, percentual que vamos ver no próximo índice oficial em breve. É preciso que nos atentemos ao fato que o mercado está diferente, novas profissões surgindo, muito empreendedorismo, claro, para quem tem este perfil. Vejo a taxa de desemprego com índice alto ainda? Vejo sim, mas também vejo profissionais, que ainda são mais conservadores, que não estão dispostos a mudar de sua cidade, função um tanto mais diferenciada, ou até mesmo, disposto a uma remuneração com um fixo menor, com chances de comissões atrativas. Esta proposta tem crescido muito, mas temos que respeitar os perfis já existentes, não é mesmo? E com toda esta abundância de excelentes profissionais, o mercado se apoia na tradicional oferta x procura, que faz parte do nosso processo e mecanismo, da lei. O que podemos fazer? Diante de todas estas transformações hierárquicas, tecnológicas, dos compartilhamentos que já estão aí, e sendo criados, como tentativa de inovação da consequente sobrevivência, agora a passos médios, nossos profissionais já podem ficar mais confiantes, com sua tão esperada volta ao lavoro. Ressalvo que, seu currículo deve estar bem organizado, adequado e reformulado, para que os Recruiters possam ver o que você tem de melhor, e aproveitem este momento de busca, para realizarem cursos on-line oferecidos gratuitamente, disponíveis em diversos sites, tanto governamentais como privados. Recicle-se e turbine seu histórico!

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Qual a situação das mulheres dentro desse cenário de crise?

Acredito que a situação de “crise” afeta e afetou todos os profissionais. Não vejo as mulheres em desvantagem relevante ao mercado de trabalho. Vejo o cenário em total igualdade nesta busca por uma oportunidade, e não vejo diferença quanto ao gênero, no sentido da “crise”. Tenho visto até e me sinto, como mulher, muito mais confiante, quando vejo muitas delas se recolocando no mercado, postando depoimentos incríveis pelo fato da espera por um trabalho, pela paciência, resiliência que vivenciou, vejo muitas delas em posições de alto comando, se destacando, revelando sua história de sucesso e suas iguais, e não diferentes potencialidades. Na área tecnológica, que para mim é o futuro que já é, a participação feminina é crescente e fantástica!

Graziela

Qual seu conselho para uma mulher que pretende voltar ao mercado de trabalho?

Continue consciente de sua capacidade, força, talento, dom, experiência, determinação, pois é isso que você tem, lembre-se que você pode e deve ser sim quem você é. Se for convidada para uma entrevista, lembre-se: Você tem 50% de chance…nem mais…nem menos!

Na sua opinião, qual a maior falha de uma mulher que está à
procura de um novo trabalho?

Não vejo, como se pelo fato de ser mulher, pudesse incorrer de alguma falha. Vejo a mulher, como uma profissional, tão boa quanto, em busca dos seu 50% de chance!

O que mais exclui uma candidata dos processos seletivos?

Isso pode depender da forma que uma empresa é estruturada, e vê os seus profissionais. Se a empresa é mais “conservadora” ou não, se segue ou não, padrões já estabelecidos pelos sistema imposto, vai usar seus critérios de escolha. Já outras empresas, um tanto mais evoluídas, podem ver os profissionais como unidade, como um todo, e não usar a dualidade de gênero, como exemplo, em determinadas questões que lhes couber.

O desemprego leva as pessoas a atitudes desesperadas, inclusive, gastando um dinheiro que já é pouco para elas. Como evitar cair em armadilhas para conseguir recolocação?

A dica é para que os profissionais procurem sites gratuitos, onde você possa se cadastrar e ter acesso às oportunidades de recolocação. Nas Redes Sociais, existem muitos profissionais que oferecem serviços de revisão de currículos, simulações de entrevistas, coach, campanhas de divulgação de vagas, gratuitamente, dispõe deste, em prol do outro. Também há nas redes diversos grupos de empregos, onde seus idealizadores publicam diariamente inúmeras oportunidades, onde a candidatura é encaminhada diretamente via e-mail para a empresa recrutadora ou ao Recruiter que tem a posição em aberto. Acredito sim, que também é possível se recolocar novamente, utilizando estas ferramentas que estão disponíveis, para quem no momento, não pode dispor de certo investimento, é claro.

O mercado continua excluindo quem tem mais de 50 anos? Por quê?

Este cenário também tem mudado, na minha percepção. Tivemos sim um período, que houve forte resistência em relação à faixa etária. Novamente, como acredito que os movimentos são cíclicos, vejo estes mesmos profissionais atuantes no mercado, se recolocando, vejo até empresas de Recursos Humanos especializadas para estes profissionais surgindo e já estabelecidas. Afinal, as empresas precisam ser e são imediatistas nesta corrida, em prol da inovação, novas tecnologias, inteligências artificiais. Neste processo contínuo e evolutivo, as empresas tem urgência em profissionais já experientes, em determinadas áreas que, não há tanto tempo a se perder em treinamentos intrinsecamente técnicos, longos e precisos. Sem contar com a total habilidade adquirida por estes profissionais, aos longos dos anos.

Graziela, qual sua projeção para o País e os milhões desempregados
que estão por aí?

Do Caos…a Reorganização! Tudo está voltando a normalidade, gradativamente, pois temos um vácuo ainda. Muitos profissionais estão criando seus próprios nichos no mercado, criando oportunidades para outros profissionais se encaixarem. Indústrias e empresas estão voltando a contratar, novas cadeias de trabalho sendo postas à prova. Vejo as pessoas usando tudo que tem ao seu redor, como uma possibilidade. Anteriormente, não as via, porque não era necessário, se tinha receita, e quando esta falta, o ser humano vai lá e cria, transforma. O que mais tenho visto é esta adaptação, esta reorganização em possibilidades criadas com o que se tem disponível no momento. Vejo empresários, subdividindo seu local de trabalho, para outros profissionais utilizarem, por hora, por dia, enfim, pelo tempo que necessitar para uma reunião ou
para uma entrevista de trabalho, atendendo múltiplas necessidades, coworkings. A Lei do Compartilhamento está aí, se compartilha tudo o que há, isto tudo provém, das situações críticas, que além de se mostrar em uma polaridade negativa, o lado positivo são estas transformações, que de certa forma, quando se equalizam, se tornam agradáveis, modernas, práticas, trazendo formas mais independentes das pessoas trabalharem e mais sustentáveis. Muito profissionais têm esta sensibilidade metamorficamente em seus corpos de encontrar seu lugar, em outra estação. Desta forma, vejo também que os profissionais têm de rever suas potencialidades, que estão lá, aguardando por uma chance, para se recolocarem em outro mercado onde há um exponencial crescimento, ou quem sabe você pode até cria-lo? Não fique tão preso e suscetível à área que você se formou e se especializou, pois neste momento de transformação, é preciso autotransformar-se também, ou como a literatura vem nos repetindo… Conhecer a Si Mesmo!

A conferir.