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A ex-prefeita Marcia Rosa encerrou o mandato e assumiu a função de vó. Isso, pelo menos, até se recuperar de um problema no olho e voltar a dar aulas de Química nas escolas públicas do Município. Nesta entrevista, dividida em duas partes, Marcia fala de Cubatão, do início de mandato do atual prefeito e como avalia o que vem acontecendo na Cidade. Ela destaca também que a política não faz parte de seus planos no futuro.

Prefeita, como está sendo este período pós-mandatos? O que tem feito?

Estou fazendo um tratamento médico de um problema nos olhos, procurando descansar para me recuperar do ritmo muito forte dos últimos oito anos no cargo de prefeita, período esse praticamente todo de enfrentamento de uma das maiores crises que a cidade e o país já viveram. Paralelamente tenho estudado as profundas transformações sociais e econômicas trazidas pela tecnologia da informação e pela economia de compartilhamento e planejando as atividades que pretendo desenvolver no futuro.

Tem acompanhado o que está sendo feito em Cubatão pelo prefeito Ademário? Faça uma análise, por favor?

Eu moro em Cubatão, minha família também, o que por si só já traduz minha relação afetiva com a cidade. Uma situação que me trouxe muita tristeza foi o fechamento do Hospital. Lembro que durante a campanha, o Hospital em pleno funcionamento era uma das grandes “bandeiras” do atual prefeito. Ele afirmava inclusive que seu escritório seria nas dependências do Hospital e só sairia de lá com tudo funcionando. Não bastasse a decisão de manter fechado, ele convoca todos os veículos de comunicação para apresentar problemas do prédio. Ora, todo mundo sabe que as construções públicas precisam de manutenção constante e rigorosa, mais ainda que as particulares, porque muito mais frequentadas. Foi uma situação teatral. Muita gente que eu conheço ficou se perguntando: – “Será que o prefeito não conhecia o Hospital depois de um mês lá dentro e de 4 anos como vereador do município?”. Outra situação que já não se sustenta mais é ficar culpando o governo anterior por tudo. Coisa que não fiz quando assumi, em 2009, com queda de arrecadação e sequestro de quase 20 milhões de precatórios não pagos no governo anterior logo no segundo mês do mandato. É preciso ser coerente, falo da crise desde 2009, nada foi fácil. E mais uma vez o governo Alckmin se recusa a ajudar Cubatão, deixando o Hospital Municipal fechar por falta de apoio do Estado e da União. Acho muito precoce fazer uma análise do governo. A crise é real. A arrecadação continua caindo, o desemprego aumentando… e a falta de uma política macroeconômica focada no crescimento da produção com investimentos direcionados para a geração de renda e empregos não nos permite olhar o futuro com otimismo. A instabilidade política também compromete a economia. Michel Temer é visto como golpista – e um governo ilegítimo aumenta a insegurança jurídica e afasta investidores. O prefeito administra uma cidade que tem um polo industrial de base. Se a indústria não vai bem… a cidade também não vai bem.

Qual sua avaliação sobre a intenção de paralisação das bandas Sinfônica e Marcial e dos grupos Rinascita e Zanzalá? E a não realização do Carnaval?

Não foi fácil manter todas as políticas que o município ofertou e ampliou ao longo desses últimos anos. Mas esses grupos artísticos tem uma importância muito grande, fundamental. Eles se confundem com a história da cidade. Eu conheço muitas pessoas que se doaram por toda a vida à Cultura. Nossos grupos artísticos representam referências dentro e fora do país. O governo tem que cortar gastos. A arrecadação não acompanha as despesas. Mas governar é fazer escolhas. Torço para que essa riqueza toda , diga-se grupos artísticos da nossa cidade seja preservada. Eles merecem. A cidade merece. O Carnaval de Cubatão é muitas vezes visto como o desfile nas avenidas. Mas na verdade vai muito além disso, gera emprego e renda. O pipoqueiro vende mais pipocas, as costureiras trabalham. Há muita demanda que representa renda para muitos trabalhadores temporários. Mas volto a dizer: é uma decisão política.

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A senhora pretende voltar a dar aulas a partir de quando?

Assim que me recuperar desse problema nos olhos que estou tratando. Mesmo depois da minha aposentadoria, já solicitada, vou continuar fazendo coisas que eu gosto. E lecionar é uma delas. Tenho uma vida dentro das salas de aula.

Teme alguma represália do atual secretário de Educação, Raul Christiano, seu inimigo político declarado?

Não tenho inimigos, considero essa palavra muito forte. Quanto a possíveis represálias, posso dizer que conheço muito bem meus direitos e deveres como funcionária pública e como cidadã.

A senhora pretende se candidatar a deputada em 2018 ou saiu da vida pública? O que projeta para o futuro?

Passei os últimos 16 anos da minha vida me dedicando intensamente à cidade. Em 2013, após a enchente de 22 de fevereiro, fiquei quase 6 meses entre o gabinete e a atenção aos desabrigados. De muitas lutas, desde o fim do voto secreto à volta dos cobradores; proteger áreas residenciais contra pátios de contêineres… A luta faz parte da minha vida! Esse vai ser sempre o meu futuro, com ou sem cargo. Agora vem uma reforma trabalhista e outra previdenciária que podem destruir muitas conquistas do trabalhador brasileiro. Concretizadas essas reformas, o destino de muitos nós pode estar nas sarjetas, envelhecidos e sem direitos previdenciários. Estarei nas lutas em defesa de uma sociedade mais justa e igualitária. E quero continuar próxima como mãe, filha e avó… Eu não tenho um projeto de futuro individual!