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Esta é mais uma história que acontece todos os dias, mas que fica restrita a poucas pessoas. A morte de uma pessoa humilde que não suportou ser tratado como um número.

Perto dos 50 anos, JR, como vamos chamá-lo, era funcionário de uma empresa no Interior de São Paulo, onde dava expediente há 20 anos. Autodidata, tinha uma função importante e era fundamental no andamento do negócio. Sem ter feito curso algum, aprendeu a lidar com os computador e alguns programas.

A notícia começava a circular e dava conta que haveria cortes de funcionários na empresa. JR e mais quatro colegas estavam na lista. Com muitos problemas financeiros e com a saúde fragilizada pelo alcoolismo,  a demissão iminente abalou JR.

A matemática não explicava aquele clima de suspense. A empresa havia  recebido somente da prefeitura, nos últimos anos, mais de  R$ 7 milhões. Apesar de outros valores recebidos, a empresa fez um empréstimo para pagar o 13° salário.

O produto comercializado foi reduzido. A ordem de cima era demitir os trabalhadores mais velhos. JR não aguentou a pressão e tirou a própria vida. Deixou mulher e duas filhas.

Num País que passou a ter idosos felizes e saudáveis de uma hora para outra e que trabalham tranquilamente até os 80 anos, a história de JR é, no mínimo, intrigante.