A Coluna “Nos Bastidores do Santos FC” volta a ser publicada, Dessa vez, vamos abordar o relatório do Conselho Fiscal sobre o balancete do primeiro trimestre deste ano do Santos Futebol Clube, que foi enviado ao Conselho Deliberativo para aprovação ou rejeição. Vamos contar um pouco sobre o pedido de afastamento de Orlando Rollo da vice-presidência do clube e o racha no Comitê de Gestão.
De saída?
O vice-presidente Orlando Rollo solicitou à Comissão de Estatuto, por meio do Presidente do Conselho, um parecer sobre os procedimentos que deve seguir em caso de eventual pedido de licença. Rollo considera o estatuto e o regimento interno omissos nesta questão. “Minha principal dúvida é se volto a ser Conselheiro no caso de licença. Não é segredo para ninguém que estou descontente com a gestão e sem força para implantar minhas ideias. Dessa maneira não tem sentido que eu continue no cargo. Não tenho apego ao poder, o Santos está acima de tudo”, disse à coluna.
Rachado
Corre nos corredores da Vila Belmiro, a informação que o Comitê de Gestão está rachado. A gota d´água teria sido um pedido de demissões feito em cima do relatório do Conselho Fiscal. De Londres, Peres teria rejeitado a solicitação. Parece que apenas o novo aliado Pedro Doria deve ficar sozinho e absoluto na área. A reunião do Conselho Deliberativo de quinta-feira, dia 7 de junho, promete ser quente.
Movimento espontâneo
Sócios de todas as correntes políticas do clube estão sendo convocados para comparecer no dia 7 de junho, às 19 horas, em frente ao Portão 16 da Vila Belmiro. Eles pretendem fazer um protesto pacífico e cobrar diretoria, gestores e conselheiros sobre tudo o que vem sendo feito no primeiro semestre dentro do Santos.
Prejuízo
O balancete do primeiro trimestre apresenta um prejuízo de R$ 18.103.106,00, contra uma previsão de lucro no orçamento de R$ 37.480.702,00, isso resultando uma diferença nominal negativa de R$ 55.583.808,00, que é a soma dos dois valores (-148%).
Receita
O Santos obteve a receita de R$ 55.028.874,00 nos três primeiros meses. Como prevê o estatuto o limite de endividamento é de 10%, ou seja, R$ 5.502.887,40. O clube quase triplicou e bateu nos R$ 14.267.471,11.
Estimativa
O relatório aponta que sem receitas extraordinárias e a dificuldade em conseguir dinheiro em ano de Copa do Mundo, o Alvinegro pode encerrar o ano com um déficit de R$ 129,2 milhões.
Preocupação
A administração Peres/Rollo celebrou 157 contratos de janeiro a março. Apesar dos documentos possuírem numeração sequencial, o Conselho Fiscal não recebeu cópia de todos eles. Os motivos alegados são: falta assinatura do clube; ausência de assinatura da outra parte; esperando regularização da nova empresa; discordância entre a inclusão de bônus e prêmios; alguns contratos não são enquadrados corretamente na Atividade-meio e atividade-fim, podendo resultar em prejuízo ao clube e prestadores de serviços que não tiveram seus contratos assinados e foram dispensados ou afastados.
Velhos tempos
Utilizando a Reforma Trabalhista, o clube voltou a contratar funcionários como Pessoas Jurídicas em substituição ao uso da CLT. O Conselho Fiscal apontou uma série de medidas para evitar prejuízos futuros.
Sem contrato
O CF alerta que algumas empresas foram constituídas depois do início do trabalho do profissional, mesmo assim os meses anteriores foram pagos sem contrato, a título de adiantamento. Ficou constatado também que algumas empresas não tem nenhuma relação com a atividade desempenhada pelo trabalhador contratado. Falta até quais são as obrigações, atribuições e  objetivos dentro do clube.
Quebra
Um dado interessante refere-se à quebra de contrato. Se a empresa (funcionário) rescindir o vínculo, a multa dela é seis vezes menor do que a paga pelo clube em caso de ruptura. Não existe ainda aviso prévio e basta uma notificação por escrito. O Departamento Jurídico do clube declarou que a diferença nos valores está prevista na Lei Pelé.
Ele voltou
Tão criticado nas outras administrações, o pagamento de comissão de intermediação voltou. O CF sempre orientou que não deveriam ser pagas comissões pela renovação de atletas pertencentes ao clube ou com vínculo de empréstimo. Isso ficou constatado nos contratos dos jogadores Yuri, Diogo Vitor e Vitor Ferraz. Foram feitos pagamentos também na contratação de Sasha e Dodô. Não houve justificativas.
Equatoriano
O relatório questiona a contratação de um atleta equatoriano, de 17 anos. O Peixe adquiriu 100% dos direitos desportivos e econômicos do jogador. O estranho é que o clube deverá repassar 30% do valor de uma futura transferência à empresa Hi Talent LTda. Além disso, a Hi Talent, terá mais 20 % pagos do clube vendedor, o que significa que para o Peixe ficará 50% do produto final. O Conselho Fiscal não entende o motivo desses repasses à empresa.
Ex-sócio
Um ponto obscuro nessa transação é que a Hi Talent pertencia a Ricardo Marco Crivelli, o Lica, coordenador da base do Santos, afastado sob suspeita de pedofilia, e ex-sócio de José Carlos Peres na Saga Talent. Crivelli trabalhava, mas não tinha contrato com o Peixe. Ele saiu da sociedade da Hi Talent em 22-06-2015 e foi substituído por Eduardo Brito de Melo. Crivelli e Melo têm o mesmo endereço residencial. Crivelli (Lica) estava na coordenação da base quando da contratação do equatoriano. A Saga Talent teve suas atividades encerradas em 23-05-2018.
A conferir.