Coluna: “O Melhor da Vida” – O que sofri no mundo do vinho

Divulgação/Provinho.org.br

O Santos Em Off publica a coluna “O Melhor da Vida”. Neste espaço, convidados vão contar experiências e sensações vividas ou que foram perdidas ou esquecidas com o dia a dia. Acompanhe o texto do jornalista Zé Petit Rodrigues.

Zé Petit Rodrigues (*)

Eu não consigo evitar de rir de mim mesmo quando me lembro do que sofri nesse mundo do vinho. Quando chegou a tampinha screw cap, foi um horror. Era o tempo em que a gente pegava o saca-rolhas sem alavanca sem nada, enfiava na rolha e prendia nas coxas para puxar. Às vezes saia pó de rolha, outra tomávamos banho de vinho. Sofríamos mas não desistíamos de beber.

Então apareceu a novidade, a tampa de rosca. Como era difícil abrir. Parece que tínhamos de fazer uma penitência por um gole de vinho. Tentava virar aquela rosca; umas cediam, outras não. Faltavam confesso, força e inteligência.

E assim foi. O saca-rolha melhorou muito, não precisávamos mais fazer força por conta do efeito alavanca. Apareceram aqueles que injetavam ar e a rolha saia sozinha.

Já a tampa de rosca continuava a mesma. Até que um dia um amigo me viu sofrendo e ensinou o caminho das águas:

  • Segura a tampa e vira a garrafa.
    Tão simples assim,,, E resolvi também outro problema que me angustiava: abrir garrafa de espumante. Fi aí que pensei:
  • Segura a rolha e vira a garrafa, Zé.

Meio caminho andado, mas faltava ainda descobrir muitas coisas: por que o vinho tinto depois de aberto estragava logo, mesmo na geladeira? Ficava horrível.

Um dia resisti ao gosto ruim e, como tinha ficado bastante na garrafa, fui bebendo devagar e devagar descobri que era o gelo. E eu que gostava de tinto na temperatura ambiente… O vinho foi chegando na temperatura e pronto, estava perfeito. Aí perdi o argumento de espanhol de que, quando se abre uma garrafa de vinho, tem de beber inteira. Paciência.

Mais um aprendizado e este foi com o amigo Rodolfo Froes. Ele tem sempre uma meia-garrafa no jeito. Abre a grande e, antes mesmo de experimentar, guarda metade na geladeira. Se estiver inspirado, bebe a outra também. Se não, deixa guardada por alguns dias. A diferença é que ele guarda o vinho antes que se expanda, mantendo suas características originais. E eu que, no final a festa, pegava o vau vin e guardava o que restava o vinho em quantidade e já meia-boca.

Vivendo e aprendendo. Ou bebendo e aprendendo?

(*) Zé Petit Rodrigues é jornalista.

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