Por volta de 2001, comecei  a procurar entre os profissionais da mídia esportiva quem tinha o telefone de Walter Casagrande Júnior, o Casão, Big House. Minha intenção era fazer uma entrevista com o então comentarista da Rede Globo. Lembro que consegui o contato e um conselho: “Procure o cara até a quarta-feira, pois depois disso ele some e você não vai conseguir falar com ele”. Entendi o recado, e que o fim de semana do ex-jogador começava na quinta e terminava na segunda.

Consegui marcar com o jogador e o entrevistei antes de um jogo do Santos na Vila Belmiro, junto às câmeras d a Rede Globo. Não foi uma entrevista muito longa, mas Casagrande, gentil, não economizou palavras e simplesmente detonou a Seleção Brasileira que viria a ser pentacampeã no Japão. Foi categórico e disse que não seríamos campeões. Não fiquei espantado, já que o Casagrande sempre foi conhecido por ter opinião, posição política e nunca foi conhecido por ser bajulador.

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Aconteceram episódios com drogas e aquele namoro com a Baby do Brasil, que não previa relações sexuais. Fiquei pensando como seria esse relacionamento com alguém que já teria visto extraterrestres e hoje garante que bate um papinho com Deus. Parece que não durou. São viagens bem incompatíveis.

Acompanhei alguns situações  da vida do comentarista e a decadência dele sempre me incomodou. Bom, Casagrande, ultimamente, vem enfrentando uma pressão maior do que as torcidas de Corinthians e  Flamengo juntas contra ele numa partida de futebol. É uma pessoa “doente” em constante recuperação e que tenta não ser vencido pela vontade de usar cocaína.

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Após a final da Copa do Mundo da Rússia, Arnaldo César Coelho, comentarista de arbitragem, anunciou sua despedida das copas. Disse que sua missão estava cumprida. Casagrande aproveitou a oportunidade e fez um desabafo. Admitiu que foi a única copa que trabalhou totalmente sóbrio. Fez um depoimento emocionado e que me deixou emocionado também.

Enquanto Arnaldo dava adeus, Casão mostrava algo parecido com seu renascimento. Dividiu com o Brasil a sua vitória fora dos gramados.  Não usou palavras para mostrar que é um coitadinho que parou de cheirar. Deixou à mostra que é uma pessoa famosa que conseguiu ficar “careta” durante um mês inteiro diante das tantas tentações que o mundo do futebol proporciona.

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Ao contrário de virar chacota, Casagrande tem que ser exemplo de superação. Não estou fazendo apologia de nada. Cada um sabe as consequências e as delícias de ser o que é. Demorou, mas, hoje, não foge da briga.  Todo mundo tem sua droga. Uns bebem, fumam, comem doces, comem demais, tomam remédios, café etc. Outros, principalmente, os “puros” não usam estimulantes, mas traem, conspiram, tramam, ou seja, prejudicam muito mais os outros, a pessoa do lado.

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Tenho poucos, mas grandes amigos. Amizades sinceras de longa data. Confesso, que depois que vi o desabafo do Casão cheguei à conclusão: Eu queria ser amigo do Casagrande.

A conferir.