O Ministério Público Federal recomendou à Cetesb que não desse a licença para executar a obra, mas a estatal não se incomodou e liberou a construção da cava subaquática pela VLI -Ultrafértil em frente à Ilha das Cobras,  entre o  Canal de Piaçaguera e o Rio Cubatão, no interior do Estuário de Santos, em frente à região da Alemoa. O que parece uma simples obra pode tornar-se um desastre ambiental sem proporções e afetar todo o litoral.

A cava subaquática construída  no leito navegável pode acondicionar 2,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos contaminados dragados no Canal da Piaçaguera, entre eles metais pesados. O que vem arrepiando os ambientalistas e especialistas é que a colocação dos resíduos tóxicos estaria sendo feita sem os cuidados necessários e já existiria a dispersão desses poluentes pelo Estuário. Trata-se de uma das das maiores cavas do mundo.

Outro perigo é que a cava fica numa curva e com o aprofundamento do canal para entrada frequente de navios de grande porte, o risco de colisão com a cava subaquática torna-se enorme.

Algo que é definido como “estranho” pelo especialistas é que a cava é considerada uma tecnologia ultrapassada e, portanto, nunca deveria ter sido aceita pela Cetesb. A maneira correta seria o tratamento ou a disposição dos resíduos tóxicos em unidades de confinamento terrestre. Em vários estados americanos, a construção das cavas subaquáticas não é permitida,mas, infelizmente, no Brasil tudo pode.

O material já começou a ser colocado dentro da cava. Agora, já que a obra está pronta, a luta é para tentar brecar o que vem sendo feito. A conferir.