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Os jornalistas que trabalham em Jornais e Revistas do Interior e Litoral do Estado de São Paulo entraram em data-base, no dia 1 de junho. Todos os anos, as negociações se arrastam até novembro e dezembro e sempre pela intransigência dos empresários do setor acontece o impasse. As reuniões entre os representantes dos patrões e trabalhadores estão cada vez mais tensas e sem acordo.
Em outros tempos, no mínimo, os patrões ofereciam a reposição da inflação aos jornalistas. O que viesse a mais, era ganho real. Hoje, os empresários decoraram um discurso choroso e todos só falam em prejuízos e contas no vermelho. A proposta básica é reajuste zero nos salários e cláusulas econômicas.
 
Esse papel ensaiado e desempenhado pelos representantes dos patrões beira o ridículo. Todos sabem que as empresas de comunicação ganharam braços ou tentáculos e eles que vêm abastecendo de dinheiro o empresariado do setor. São criadas empresas de eventos, corridas, passeata de cachorro, debates caça-níquel e nada disso é de graça e a grana, que não é pouca, chega e o negócio “imprensa” continua com seus números frios e vermelhos. O produto “Jornalismo” virou secundário. Terreno fértil para sugestões como redução salarial, Banco de Horas, Plano de Saúde com coparticipação, entre outros absurdos.
Na primeira reunião entre patrões e empregados já deu pra sentir o que vem pela frente. Os jornalistas reivindicam reajuste pela inflação de 3,35% e aumento real de 2%, pois o reajuste do segmento também foi parcelado e levou a perdas em 2016.
Como os empresários gostam de se superar, a proposta foi de redução de ganhos e retirada de direitos, pois querem alterar um conjunto com garantias conquistadas ao longo de anos nas Convenções Coletivas de Trabalho.
Além de reajuste “zero” para salários e benefícios, os patrões do Interior e Litoral querem excluir a multa pela não instituição do Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR (cláusula 13º da CCT), o que, na prática, significa “retirar” o pagamento do PLR, que atualmente está no “astronômico” valor de R$ 955,00.
Os empresários também querem retirar a obrigação de manter o seguro de vida (cláusula 18), que representa uma perda aos herdeiros do jornalista, e reduzir a multa pelo atraso no ato da homologação (cláusula 26º), mantendo apenas a multa pelo atraso no pagamento das verbas rescisórias.
Na próxima quarta-feira, dia 28 acontece mais uma  negociação da Campanha Salarial de Jornais e Revistas do Interior e Litoral, na sede do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado de São Paulo (Sindjori), na Capital. A conferir.