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Fotos: Reprodução
O advogado Airton Sinto, de 50 anos, foi contratado pela família de Matheus da Silva Nascimento, de 17 anos, para trabalhar na acusação do goleiro Raphael Aflalo Lopes Martins, de 20 anos, que atropelou e matou o estudante na Avenida Epitácio Pessoa, no bairro da Aparecida. Airton discorda da tese de homicídio culposo (sem intenção) e critica veículos de comunicação que encobrem o sobrenome famoso do acusado.
 Dr. Airton, fale um pouco sobre assumir a acusação do Raphael Aflalo, no caso do atropelamento e morte do Matheus, ocorrido no dia 9 de abril passado?
Mais um caso de absoluta irresponsabilidade de um condutor de veículo, que, além de estar com sua habilitação suspensa em razão de reiteradas infrações de trânsito, atropela e mata, desta vez, um adolescente, trabalhador que ajudava no sustento da família.
Quais as primeiras impressões que o senhor teve sobre isso?
Os fatos demonstram a imprudência exacerbada do condutor, que, somada a outros elementos (entre eles eventual embriaguez, que está sendo apurada pela autoridade policial; ultrapassagem de veículo à frente pela faixa da direita; velocidade incompatível com o local e com a previsão regulamentar), a possibilidade real de o crime a ser apurado deixar de ostentar a modalidade culposa (sem intenção) e ser reconhecido como doloso (com intenção), diante da assunção do risco pelo condutor, ao dirigir seu veículo em via estritamente residencial, nas condições que conduziu, é muito provável.
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A que atribui o silêncio ou mesmo a omissão do sobrenome do Raphael Aflalo em alguns veículos de comunicação da Baixada Santista?
Realmente, causa estranheza, para dizer o menos, o fato de boa parte da grande mídia regional (televisiva, impressa e digital) omitir dados importantes, sobretudo a respeito da notoriedade e poder financeiro da família do acusado, fato este que em nada influenciará a defesa dos Direitos da família de Matheus, a qual lutará, como nosso apoio incondicional, para que o responsável pela morte prematura do jovem trabalhador, responda pelo crime que cometeu, a meu ver, homicídio doloso, devendo o acusado ser levado a júri popular.
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Já teve acesso ao inquérito? Viu alguma distorção?
Fui contratado pela mãe e pelo pai de Matheus, no final da tarde de quinta-feira. Em 24 horas já terei acesso ao inquérito policial, sendo certo que a primeira ação será cobrar o resultado do laudo a respeito de possível embriaguez do condutor ao atropelar e matar o Matheus.
O senhor tem conhecimento do poder econômico que está do outro lado? Isto dificulta o trabalho da defesa?

Dura lex sed lex (a lei é dura, mas é lei), independentemente do poder econômico e de eventual influência social da família do autor do fato que causou a morte de Matheus.