protestoFotos: Reprodução

O primeiro protesto reuniu 30 pessoas, mas o objetivo é fazer o movimento crescer a cada dia. Familiares e amigos de Matheus da Silva Souza do Nascimento, de 17 anos, gritaram por Justiça, nesta quarta-feira, e pediram uma punição severa ao goleiro Raphael Aflalo Lopes Martins, de 20 anos, que atropelou e matou o estudante no domingo, na Avenida Epitácio Pessoa, no bairro Aparecida, em Santos.

Morador do Saboó, Matheus estudava e ajudava o padrasto Charles Nascimento da Silva num carrinho de bebidas na praia. A mãe do rapaz, Luciene da Silva Souza, é cozinheira, mas está desempregada. Por outro lado, Raphael pertence a uma das mais ricas e influentes famílias de Santos.

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Matheus era integrante da Torcida Jovem do Santos. No jogo contra a Ponte Preta, pelo Paulistão, os torcedores seguraram uma faixa com o nome do rapaz. Parece que dirigentes da organizada estariam sendo pressionados a evitar essas manifestações. A vítima deixou três irmãs e elas estão muito abaladas com o falecimento do estudante. Jennifer fez aniversário no dia 10, data do sepultamento do irmão.

Como a família de Matheus não conseguiu uma data neste final de semana, a missa de sétimo dia do rapaz vai acontecer na terça-feira, dia 18, na Igreja do Embaré. No mesmo dia, às 8h30, está sendo organizado um novo protesto com mais pessoas, camisetas e cartazes, no local do atropelamento.

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De acordo informações da Polícia, Matheus e Charles Nascimento da Silva, padastro dele, atravessaram a avenida com um carrinho de praia, quando foram surpreendidos por uma carro BMW 318 IA, placas BIA 0215, cor prata, de Santos. Com o impacto, o estudante foi arremessado a alguns metros. Ele foi levado ao hospital, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória.

A BMW ainda atingiu um veículo que estava estacionado na avenida. Como Raphael está com sua CNH vencida, ele teria tentado fugir do local, mas foi impedido por pessoas que estavam no local. Ele garantiu que não ingeriu bebida alcoólica e forneceu sangue para fazer o exame. O goleiro ficou em observação na Beneficência Portuguesa. O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção) na direção de veículo automotor.

O Blog Santos em Off conseguiu conversar com Charles Nascimento da Silva, padrasto de Matheus, e que estava com a vítima no dia do acidente.

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“Não posso falar muito, pois estou sob efeito de calmantes. Matheus era um menino bom, solidário com todos. Pode conferir na orla da praia que todos o conhecem como educado, trabalhador e que ajudava a mãe que está desempregada. Ele morava com o pai (Jairo Gomes). Comigo tinha uma relação de filho e eu de pai com ele, já que fui casado com a mãe dele por um bom tempo e acompanhei o crescimento do Matheus, lhe passando boas instruções e valores sobre a vida. Ele iria se alistar já que completaria 18 anos. Tinha planos de comprar uma paixão que era uma moto e fazia parte da Torcida Jovem do Santos, acompanhava todos os jogos.
Ele estava fazendo com uma rifa na qual estava arrecadando dinheiro pra poder comprar um material e uniforme para a irmã Nicolly , que começou um curso preparatório da área militar.  
Eu, a mãe e o pai perdemos um filho, um amigo,  irmão, um anjo. Ia terminar o Colegial e tirar sua habilitação, Depois tentar uma vaga no mercado de trabalho.
Mas, infelizmente o Raphael Aflalo, menino como o Matheus, talvez não teve a mesma instrução de valores, respeito, carinho, solidariedade, honestidade, como o Matheus teve. Ele cometeu essa brutalidade com seu carro posante da melhor marca, com aceleração que foge do controle de qualquer ser humano equilibrado. Talvez por uma falha dos pais, ou da sociedade e amigos que com ele convivem. 
O Raphael tem que ser punido pra poder aprender o real significado da vida e quebrar esse paradigma, e começar a pensar que um dia terá um filho será tio. Espero que ele sofra com sua pena e aprenda, e possa passar boas maneiras para aqueles vão estar a sua volta no futuro.
Eu me sinto sem meu amigo, companheiro, filho, braço direito. Estou machucado física, psicológica e  financeiramente. O  carrinho é minha única fonte de renda. Eu me sinto desamparado, aguardando a Justiça. Pra todos.
Eu sei que a família dele vai tentar de todas as maneiras abafar esse caso e, com certeza, vai ser mais uma caso de impunidade no nosso País, onde o dinheiro tem voz alta.
Esse e o meu desabafo. Foi um dia foi longo, cansativo e estressante. Eu preciso me recompor”.